Nos anos 2000, Chargers e Patriots protagonizavam uma das rivalidades mais elétricas da década. Por mais que os finais não fossem nada felizes para o torcedor dos Chargers, ver Philip Rivers e Tom Brady em campo era mágico.
Cortamos para mais de 20 anos depois. No próximo domingo, Justin Herbert e Drake Maye escreverão mais um capítulo desta saga. O duelo dos jovens quarterbacks é a grande manchete, mas existem outros fatores também. Jim Harbaugh versus Mike Vrabel, por exemplo: ambos treinadores veteranos e ex-jogadores de seus respectivos times.
Chargers e Patriots, pós-temporada, capítulo 5. Uma rivalidade histórica, mas que agora ganha novos protagonistas – e uma nova era.
Los Angeles Chargers (10-7) @ New England Patriots (14-3)
Gillette Stadium, Foxborough, MA
Domingo, 11 de janeiro, 22h. SporTV e GeTV
New England favorito por 3,5 pontos
Por que os Chargers podem vencer?
A essa altura do campeonato, sabemos muito bem que a linha ofensiva dos Chargers é mais frágil do que papel. Vide os 54 sacks que Justin Herbert sofreu durante a temporada regular. Porém, a combinação Herbert + defesa esmagadora faz com que a equipe seja muito perigosa nesses playoffs.
Falando do quarterback em si, é heróico ele ter os números que tem – 3727 jardas aéreas, 28 touchdowns totais e 13 interceptações – com a pior OL disparada desta pós-temporada. Herbert tem calibre e talento de sobra para carregar o time nas costas – e conseguir vitórias. O jogo terrestre oscila mais do que o ideal, pois Omarion Hampton não voltou a jogar bem após sua lesão. O grupo de recebdores é bom e isso também ajuda Herbert. Keenan Allen, Ladd McConkey, a grata surpresa Oronde Gasdsen e (ex-mão de alface) Quentin Johnson se complementam entre si.
Não se engane pelas aparências, no entanto. O carro-chefe da equipe sempre foi e sempre será a defesa. Jesse Minter ressuscitou a unidade e algumas carreiras, de quebra. Prova disso é a secundária: Derwin James, Donte Jackson e Tony Jefferson tiveram 11 interceptações juntos. O front é um capítulo à parte. Khalil Mack segue jogando como um garoto, por exemplo. Além dele, Tuli Tuipulotu desabrochou e terminou a temporada regular com 13 sacks. Outros nomes merecem menção aqui também, como Odafe Oweh (outro que ressuscitou a carreira) e Daiyan Henley.
Apesar dos vários problemas da linha ofensiva, os Chargers estão nos playoffs porque tem peças boas e uma boa comissão técnica. É vistoso de se ver? Não muito. Mas vencer bonito ou feio não importa no final: o importante é vencer.
Por que os Patriots podem vencer?
Se você virar para qualquer torcedor do Patriots e perguntar você acredita mais em milagre ou no Drake Maye?, a resposta entre 10 e 10 torcedores será apenas uma.
Drake “Drake Maye” Maye.
Ele não está na conversa pelo MVP à toa. Maye é literalmente “o” motivo principal pelo New England Patriots estar na pós-temporada. O ataque seria muito pior se ele não estivesse em campo. Não que seja ruim, porém os arredores não são de ponta. Vide o backfield: TreVeyon Henderson e Rhamondre Stevenson (outro ex-mão de alface) formam uma boa dupla, mas não é da prateleira mais alta da liga. Dentre o corpo de recebedores
A defesa vive algo semelhante. Christian Gonzalez é o líder absoluto da secundária, porém quem mais oscila é o front. Depois que Milton Williams se machucou, o rating de jogadas bem-sucedidas caiu de 62% (com ele) para 59%. Além disso, a contenção terrestre piorou muito sem Williams. Para alívio da torcida, ele deve estar em campo contra os Chargers. Se ele ficar saudável na pós-temporada e voltar a jogar bem, isso possibilita que os demais jogadores do front – Harold Landry, Christian Barmore e etc – fiquem mais livres para pressionar o quarterback adversário.
Embora o elenco seja inexperiente na pós-temporada, o mesmo não pode se dizer da comissão técnica. Mike Vrabel conhece os atalhos como ninguém. Como jogador, ele foi tricampeão do Super Bowl sendo parte da primeira metade da Dinastia. Como head coach, ele comandou o Tennessee Titans com Derrick Henry (e Ryan Tannehill, mas esqueça essa parte) e chegou a bater o próprio Patriots nos playoffs, em 2019. Josh McDaniels também é outro: o histórico como treinador é péssimo, mas ele foi a mente pensante ofensiva da Dinastia.
O Império do Mal voltou. E para ficar.
Palpites
Já vou arrancar o mal pela raíz: meu palpite é que os Chargers vençam por menos de uma posse. Será um duelo disputado até o fim e decidido nos detalhes. Entretanto, acredito que a balança penderá para Harbaugh e seus coringas por um motivo: o pass rush.
Após a semana 7, Jesse Minter passou a usar três pass rushers em situações de passe: geralmente Mack, Oweh e Tuipulotu. Nessas situações, os dois primeiros ficam nas pontas e Tuipulotu no miolo. Com pressão vindo de todos os lados, as linhas ofensivas precisam se desdobrar em mil e, na maioria das vezes, um deles fica com menos marcação. Nisso, esse “pass rusher bônus” consegue chegar mais rápido no quarterback adversário. Os sacks e turnovers são consequências.
Embora Drake Maye jogue bem sob pressão, o que deixa New England em desvantagem é justamente aqueles não-chamados Drake Maye. Will Campbell voltou e isso é uma excelente notícia para a OL, mas o setor ainda tem seus altos e baixos. O jogo terrestre é de lua e, às vezes, não funciona. Por fim, tem os wide receivers. É mais fácil ganhar a Mega Sena do que descobrir quem irá ter um bom dia ali. Stefon Diggs? Kayshon Boutte? Kyle Williams? Demario Douglas? Ninguém sabe e essa incógnita pode custar caro aos Patriots.
O contrário pode acontecer? Claro que pode. Como dito acima, o jogo terrestre dos Chargers não é lá aquelas coisas. Se Milton Williams estiver 1% saudável e conseguir freá-lo, isso causará problemas à Justin Herbert. Sem o jogo terrestre e com os EDGEs de New England mais soltos para pressioná-lo, o jeito será se livrar da bola na velocidade da luz. E nem sempre isso dá certo.
O que dá para cravar é: será um jogaço. Digno de fechar o domingo do Wild Card.
Observação: se alguém me encontrar na rua comprando incensos de jasmim, vela de arruda e batendo tambor tal qual o Pica-Pau até domingo, será apenas pura e mera coincidência. Eu sequer liguei para os xamãs peruanos e o Cacique Cobra Coral. Ainda.







