Segundo jogo consecutivo em horário nobre, segunda exibição mais do que dominante de Aaron Rodgers. O quarterback do Green Bay Packers novamente foi o grande ponto de desequilíbrio na atuação da equipe, se aproveitando perfeitamente de uma secundária do San Francisco 49ers que não conseguia produzir por conta das várias lesões.
Se Rodgers teve uma atuação nota 9 na semana passada, dominante mas ainda deixando passar algumas oportunidades em bolas longas que teriam tornado o jogo mais fácil, o mesmo não pode ser dito nesse domingo: a nota tem que ser 10. Aaron manteve a mesma precisão, eficiência e boa tomada de decisão ao longo de todo o confronto, só que afinou também as conexões com Marquez Valdes-Scantling e Allen Lazard nas bolas longas. É impossível jogar melhor que isso.
Domínio absoluto do quarterback 2: o inimigo agora é outro
Nós falamos na semana passada sobre como os Packers precisavam tomar cuidado com a defesa contra o jogo terrestre. Ela funcionou bem contra o San Francisco 49ers, que só conseguiu mover a bola pelo ar no segundo tempo ou quando os special teams deram uma senhora ajuda no final da primeira etapa. Foi uma exibição sólida no geral, que poderia ser apagada no fim das contas se não fosse o brilhantismo do quarterback.
O momentum virou a favor dos 49ers na partida quando o time anotou touchdowns em posses antes e depois do intervalo, diminuindo a vantagem dos Packers de 17 para 3 pontos sem Green Bay ao menos tocar na bola. A defesa de San Francisco teve suas oportunidades, especialmente vencendo os duelos nas trincheiras, só que a secundária não aguentou a força do ataque aéreo adversário.
Estatisticamente, foi outra exibição muito acima da média: 23 passes completos em 33 tentativas, 7.9 jardas por tentativa de passe, 2 touchdowns, nenhuma interceptação. Em campo, foi muito além dos números incríveis. Não gosto do termo “contra tudo e contra todos”, porém ele tem aplicação válida aqui: várias chamadas questionáveis da arbitragem foram a favor dos 49ers, jogando no estádio em que os Packers possuem memórias dolorosas da primeira temporada de Matt LaFleur, e com San Francisco assumindo a liderança por um ponto com 37 segundos no cronômetro e Green Bay sem timeouts.
Vencer era missão quase impossível. Só que aconteceu. Como bem disse o quarterback na entrevista pós-jogo, “como você pode não ser romântico sobre futebol americano?”
Rodgers, contra tudo e contra todos.
Mais um daqueles drives históricos de Rodgers que vamos nos lembrar por vários anos.
https://twitter.com/obersports/status/1442354465026318336
Andar o campo todo para chegar na zona de field goal, sem timeouts sobrando, e com 37 segundos no relógio. Sair com a vitória nesse tipo de situação é quase mágica, só que parece fácil pra Rodgers. Ele completou dois passes longos para Davante Adams e controlou o relógio de forma suficiente para que Mason Crosby tivesse a chance do field goal da vitória, convertido numa tentativa de 51 jardas. Marquez Valdes-Scantling resumiu perfeitamente após a partida: “Vocês deixaram Rodgers com tempo no cronômetro? Vocês não conhecem o histórico dele?”
Mas não foi só o drive final no qual Rodgers foi muito bem. Ao longo de toda a partida, ele orquestrou de forma magistral o ataque. Seus passes estavam extremamente precisos – a conexão com Valdes-Scantling na end zone é fantástica -, e ele soube aproveitar muito bem os matchups que a defesa dos 49ers lhe dava. Seus números seriam ainda melhores não fossem algumas interferências da defesa.
Com a derrota do Chicago Bears, o Green Bay Packers está isolado na liderança da NFC North. Enquanto Rodgers estiver jogando assim, boa sorte tentando tirar a equipe do topo.
Quick Passes:
Fim do império? Kevin King não estava ativo para a partida do domingo após ficar doente, e o calouro Eric Stokes, de quem muito se comenta que deveria ser o titular, assumiu o posto de King. Apesar de uma ou outra falta por conta de sua agressividade, a exibição de Stokes foi extremamente satisfatória, raramente permitindo separação dos recebedores e muito agressivo ao defender as rotas. Não existe motivo que justifique a volta de King ao time titular se nos basearmos pela exibição de Stokes.
Explicações da liga: Acho que a NFL deve algumas explicações em relação ao jogo. Não pelos erros de arbitragem, que são comuns na liga e podem acontecer com qualquer time – os árbitros são seres humanos. O que me preocupa é a questão Davante Adams, que ficou mais de cinco minutos no chão após receber uma pancada forte na cabeça no último quarto e estava de volta, literalmente, na descida seguinte. Como o protocolo de concussão funcionou tão rápido? (Adams, aliás, disse na coletiva que estava bem, mas uma lesão na cabeça não merece ao menos um check up mais consistente? São questões).
Hello darkness my old friend: Sabe aquele cumprimento no fim da partida entre os treinadores das duas equipes? Pois bem, se você clicar aqui, verá que Kyle Shanahan e Matt LaFleur não pareciam estar muito animados ao rever um ao outro. Talvez reflexo do San Francisco 49ers ter tentado adquirir Aaron Rodgers na intertemporada?
📅 Green Bay (2-1) joga em casa contra Pittsburgh (1-2) na Semana 4
📅 San Francisco (2-1) joga em casa contra Seattle (1-2) na Semana 4
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