É evidente que o gosto na boca do torcedor do Green Bay Packers e de todos na franquia é amargo. Afinal de contas, Aaron Rodgers teve seu melhor desempenho em anos e deve receber o prêmio de MVP da temporada. Como se não bastasse, o time teve a melhor campanha da NFC, jogou uma final de conferência em seus domínios depois de muito tempo, e ao contrário de 2019, era favorito para chegar ao Super Bowl. A derrota para o Tampa Bay Buccaneers repercutirá por um bom tempo e se reestruturar do baque é o desafio.
Quais eram as expectativas do torcedor para 2020: claro que a pancada tomada na final da NFC de 2019, para o San Francisco 49ers, não deixava o torcedor super empolgado. Para piorar, os movimentos na offseason foram controversos: nenhum grande nome na posição de wide receiver na free agency, além de um Draft para lá de estranho, causando grande desconfiança. Afinal de contas, draftar o quarterback Jordan Love na primeira rodada pegou todos de surpresa. Chegar aos playoffs era esperado, mas Super Bowl era um otimismo exagerado.
Quais eram as nossas expectativas para 2020: muito bem escrito pelo meu colega de redação Henrique Bulio “Todo ano com Aaron Rodgers under center exige expectativas altas dos Packers”. Afinal de contas, quando se tem um dos melhores quarterbacks dos últimos 20 anos, a expectativa positiva sempre existe. Porém, ressabiados pela forma como a equipe vencera em 2019 e sua intertemporada nada animadora, a expectativa era de apenas playoffs, sem almejos maiores.
O que aconteceu: a temporada começou de maneira animadora, com o ataque empolgando. Nas quatro primeiras partidas, em todas a unidade anotou pelo menos 30 pontos, inclusive na boa vitória sobre um potencial adversário nos playoffs, o New Orleans Saints. Por outro lado, a defesa mostrava inconsistência tendo cedido os mesmos 30 pontos para os Saints e o Minnesota Vikings. De qualquer forma, a equipe foi para sua semana de folga com a invencibilidade e boas perspectivas para o restante dos jogos.
Na volta da bye week, uma prova que nem tudo ia tão bem. Enfrentando seu futuro algoz dos playoffs, os Buccaneers, os Packers até começaram bem, vencendo por 10 a 0. Depois disso a pressão defensiva e as blitzes de Tampa apareceram, Rodgers foi dominado e a virada veio, com um sonoro 38 a 10. Duas semanas depois, após vencer o frágil Houston Texans, uma inesperada derrota para o Minnesota Vikings expôs ainda mais as falhas parando o jogo corrido, numa partida em que o running back Dalvin Cook teve 163 jardas terrestres.
Após uma vitória muito mais suada que o normal contra o frágil Jacksonville Jaguars, mais uma derrota dolorida: mesmo indo para o intervalo 14 pontos de vantagem, o time tomou um nó tático no segundo tempo, não conseguindo ajustar a defesa e a proteção, sendo desta forma batido na prorrogação, chegando a um recorde de 7-3 e sendo questionado. Porém, Rodgers pegou fogo na parte final da temporada e às seis vitórias consecutivas garantiram a melhor campanha da conferência e a folga na primeira rodada dos playoffs. Entretanto, a lesão do left tackle David Bakhtiari foi um baque grandioso para a sequência.
Nas semifinais de conferência, num duelo que parecia perigoso, os Packers mostraram serenidade e correram poucos riscos contra o Los Angeles Rams. Porém, contra os Buccaneers os problemas da primeira fase voltaram: muita pressão e erros como na última posse do primeiro tempo, fizeram o time estar com o placar adverso de 28 a 10 logo no começo do terceiro período. A defesa melhorou, mas o ataque não conseguiu capitalizar e a derrota por 31 a 26 acabou com mais uma chance de Super Bowl da franquia de Wisconsin.
Há esperança para 2021? Existem mais dúvidas que certezas hoje em Green Bay. O próprio Rodgers disse que tem dúvidas sobre o futuro. A situação na folha salarial não é das melhores – estima-se estar US$ 27 milhões acima do teto de 2021 – e alguns cortes ou não renovações serão necessários. Será necessário uma intertemporada de muitos acertos para que o otimismo em relação aos Packers se torne unânime.
O que precisa mudar urgentemente no time: O senso de urgência. Se Rodgers ficar por mais um ano, os Packers precisam de um sentimento de all-in parecido com o que New Orleans deu com Brees[foot]Expressão muito comum no poker, tem como significado apostar tudo que se tem em uma única jogada[/foot]. Por isso passam a demissão de Mike Pettine, contratação de mais armas para o jogo aéreo e fortalecimento da defesa na totalidade. O relógio de mais um franchise quarterback está quase expirando e Green Bay terminar com apenas um Super Bowl mais esse período, será um atestado de incompetência.
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