A NFL tem um problema nas mãos. Suas “quartas-de-final” (Divisional Round) dão mais audiência que as Finais da NBA e do que a World Series. O esporte definitivamente é consolidado como o mais popular dos Estados Unidos pelo menos desde a década de 1970, com poucas ameaças consistentes desde então – talvez a NBA na década de 1990 com tantas estrelas, mas mesmo assim a NFL recuperou o poder de jogo na mesma época. Mesmo com tudo isso estabelecido, mesmo com 32 franquias que dão rios de dinheiro, ainda resta um problema a solucionar: o Pro Bowl.
A verdade é que não dá para culpar muito a liga. Eles já tentaram de tudo. Já mudaram o lugar do jogo para o Havaí, como modo de atrair os jogadores e suas famílias. Depois, mudaram do Havaí para o local do Super Bowl, numa espécie de soft opening/Copa das Confederações. Voltaram para o Havaí. Mudaram de Conferência para “tirar time de Fantasy com duas estrelas do passado sendo capitãs”. Enfim, a liga fez de tudo, só faltou preencher o campo com lava e fazer os jogadores evitá-la.
O maior e principal problema do Pro Bowl – e que o faz menos atrativo para a audiência do que os outros jogos das Estrelas – não resite no fato que o jogo tem tackles “moles” ou qualquer coisa do gênero, até porque há exceções – notoriamente J.J. Watt todo ano. A NFL pensa em maneiras de tornar o jogo mais atrativo para os jogadores. A gente entende isso, dado que neste ano até membros de comissão técnica estão dando “atestados” para não ir ao jogo (Mike McCarthy, técnico dos Packers, pediu dispensa por dor de estômago).
O problema é que ele tem que ser atrativo para as pessoas em casa.
No All Star Game da MLB, por exemplo, existe (pouco, mas ainda existe) aquela mística de ver qual liga tem os melhores jogadores. Se é é a Liga Americana ou a Liga Nacional. Mas porque importa? Porque as “conferências” (no caso, Liga mesmo) do beisebol são distintas entre si em pelo menos um aspecto: na Liga Nacional os arremessadores tem também de participar do turno de ataque, rebatendo. Isso faz com que os times também sejam montados de maneira diferente e, bem, torna mais interessante torcer por uma Liga no All Star Game. O mesmo ocorre na NBA: é legal torcer para o Oeste embaraçar LeBron James se você for hater dele (não é meu caso, mas sei que tem vários).
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Ainda, os dois eventos têm “eventos paralelos” que tornam a história um pouco mais interessante. Por mais que na prática seja treino de rebatidas, o Home Run Derby é extremamente atraente para quem está começando a assistir o esporte agora. Mesma coisa para o torneio de enterradas no All Star da NBA. A NFL não tem absolutamente nada disso. Por que não pensar sobre?
De toda forma, o ponto é que Conferência Americana e Conferência Nacional têm as mesmas regras desde a fusão AFL-NFL na década de 1970. Naquele tempo ainda fazia sentido “torcer” para uma das duas, uma vez que eram as herdeiras da AFL e da NFL antiga. Hoje, poucos conseguem fazer essa distinção. Não é como se a AFC tivesse jogo terrestre mais forte e a NFC um jogo aéreo mais forte. São apenas “grupos”, da mesma forma que poderíamos chamar uma conferência de “Sérgio” e outra de “Mallandro”. Não faria a menor diferença.
Para tentar consertar o Pro Bowl, a NFL tem de pensar nisso. Fazer com que a pessoa em casa se sinta empolgada em torcer para um dos dois times. Tentar criar algum tipo de rivalidade entre as duas equipes. Sinceramente, não é com um draft de Fantasy que isso vai acontecer. Eu, pelo menos, nunca fiquei interessado em torcer pelos times de fantasy dos meus amigos que disputam outras ligas nas quais não estou.
O sentimento de comunidade, de pertencer, é essencial para se importar. A NFL poderia se apegar a vários conceitos culturais americanos, como a própria geografia. Poderia separar os jogadores, por exemplo, em Norte e Sul (a qual é uma tradicional rivalidade dos EUA e é uma separação em um dos scout game do College, o Senior Bowl). Ou então fazer um jogo entre calouros e veteranos.
E você, que ideia tem para tornar o Pro Bowl mais atrativo?






