COMO O NOVO ACORDO COLETIVO MINOU OS PLANOS DOS COWBOYS

Com o novo CBA aprovado, a regra de apenas uma tag por temporada voltou e teve grande impacto no planejamento do Dalllas Cowboys

No último domingo, o novo acordo coletivo entre jogadores e donos de times da NFL foi aprovado, o que mudou uma regra que era exceção para esse ano: a possibilidade de dupla tag. As franquias poderiam aplicar a tradicional franchise e uma transition para segurar seus jogadores, porém, com a aceitação do novo acordo, essa prerrogativa especial para 2020 caiu por terra e o regulamento padrão voltou, com apenas uma. Uma equipe em especial teve seu planejamento muito prejudicado: o Dallas Cowboys.

Com alguns agentes livres de bom nível para assinar, a franquia comandada por Jerry Jones estabeleceu duas prioridades: o quarterback Dak Prescott e o wide receiver Amari Cooper. Com isso, outros nomes como o cornerback Byron Jones foram liberados para testar o mercado. O plano era simples: negociar com Dak e Amari e, caso não conseguissem o acordo, aplicar a franchise e transition tags, respectivamente. Agora, foi tudo por água abaixo.

AFINAL, POR QUE ISSO NÃO RESOLVEU ANTES?

O Tennessee Titans viveu a mesma celeuma, mas conseguiu renovar com Ryan Tannehill e pôde manter Derrick Henry com o artifício; já os Cowboys têm um problema grande com Dak Prescott: apesar de boatos que as negociações tinham avançado nas últimas semanas, nada de efetivo aconteceu. É uma negociação longa e dura, que tem se estendido desde antes da última temporada. Dallas insiste em não tornar Prescott o quarterback mais bem pago da liga, e ele não parece disposto a abrir mão disso.

Existe todo um simbolismo por trás da renovação de um quarterback de alto nível: o próximo sempre será o mais bem pago. Dak aceitar menos que os 35 milhões de média que Russell Wilson recebe seria como se ele dissesse: “ok, sou da segunda prateleira e não tenho cacife para a de cima”. Jogando numa franquia enorme como os Cowboys, isso ganha ainda mais importância, afinal, trata-se de um mercado gigantesco e com muita exposição. A pressão por resultados é proporcional – e Dak sabe disso.

Não canso de dizer que essa negociação acontecesse em um mercado menor, como Jacksonville, por exemplo, o negócio já estaria fechado. Dak é um legítimo quarteback de franquia e merece receber o que pede. O problema é que os Cowboys usam como trunfo a falta de grandes resultados para barganhar. Em quatro anos, com um bom time ao redor, foram apenas duas idas aos playoffs, com uma vitória. Para muitos equipes, isso seria um ótimo desempenho; para Jerry Jones, não.

No seu egocêntrico mundo, o dono dos Cowboys deu a Dak tudo que ele precisava para voos maiores: uma ótima linha ofensiva, um grande running back e bons recebedores. Pouco importa se nesses quatro anos Jason Garrett foi o head coach do time e isso causou inúmeras derrotas; o fato do sistema ofensivo de Scott Linehan, coordenador de ataque entre 2015 a 2018, ser totalmente inadequado a característica dos jogadores, também é esquecido.

Com isso, o recurso da franchise tag foi aplicado em Dak Prescott. O quarterback receberá algo em torno de 26 milhões em 2020 e o acordo poderá ser negociado durante o ano. E aí que entra Amari Cooper e o novo CBA: sem direito a tag extra, o wide receiver virou agente livre. Antes a opção era colocar a tag de transição, que pagaria um salário médio de 15 milhões no ano, apenas precisando igualar qualquer oferta. Isso se foi e, com o mercado aberto, igualar propostas não é o suficiente. Se especula que Cooper receba ofertas de 100 milhões por 5 anos (média de 20/ano).

O QUE ISSO CAUSARÁ A CURTO PRAZO?

Perder Cooper criou mais um grande efeito: o time precisará procurar mais nomes na free agency e no Draft para posição, uma vez que só tem o segundo anista Michael Gallup de relevante no elenco. Contando com os 26 milhões de Dak, sobram pouco mais do que 25 na folha salarial. Gastar 20 em Amari soa como surreal, sendo que existem necessidades no miolo da linha defensiva e em toda secundária.

Mais uma vez Jerry Jones colocará os Cowboys em posição difícil. Sendo o dono e não tendo ninguém que o possa cobrar, ficará por isso mesmo. Enquanto nomes como Cooper e Jones se vão, o running back Ezekiel Elliott custará 11 milhões em 2020. Sem problemas: depois o mandatário achará algum outro bode expiatório e o ciclo continuará. Jerry, você é o culpado. E todos sabem disso.

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