O ponto crucial da temporada do Las Vegas Raiders está prestes a acontecer. Em 2019 e 2020, o time teve ótima primeira metade do ano, mas decaiu vertiginosamente no restante e ficou fora dos playoffs. Mais uma vez, a equipe completa os primeiros 50% de forma positiva (5-3) e agora se prepara para uma sequência difícil: Kansas City Chiefs, Cincinnati Bengals e Dallas Cowboys.
Como se não bastasse, as últimas semanas foram de turbulências sem precedentes fora de campo. Todo o imbróglio envolvendo a demissão de Jon Gruden e incidentes cometidos por Henry Ruggs e Damon Arnette, outrora escolhas de primeira rodada, tomaram todo o espaço. Se a primeira adversidade parecia superada, o restante pesou em dobro, culminando na derrota diante o New York Giants.
Diferentemente dos últimos anos, os Raiders terão força para manter a constância no restante do ano? Os problemas fora de campo farão surgir armadilhas dentro dele? É o que tentaremos descobrir.
Derek Carr, mais importante do que nunca
A importância de um quarterback vai muito além dos números que ele anota dentro de campo. A temporada de Carr vem sendo acima da média, com ele conseguindo liderar o ataque da equipe mesmo quando Darren Waller, seu principal recebedor, esteve ausente dos gramados. Contra os Giants, contudo, a queda veio. Mesmo com o retorno do tight end (92 jardas recebidas), a falta de um wide receiver foi notada; Hunter Renfrow, o melhor “dos restantes”, não chegou a 50 jardas.
O grande diferencial a partir de agora será o passe em profundidade. Carr é o quarterback titular que mais tentou passes para mais de 20 jardas (46), com uma média de 14,7 jardas/tentativa e 4 touchdowns. Ademais, ele usava desse artifício sendo o segundo passador que menos se utiliza do play-action (17,5% dos recuos de passe)[foot]Pro Football Focus[/foot].
Isso indica que a separação vinha em dois fatores: na precisão do seu passe e na capacidade dos recebedores de abrirem espaço. Com Ruggs e Waller juntos, a tarefa ficava mais fácil. O primeiro era extremamente veloz e o segundo era o protótipo de tight end difícil de se anular: mais forte que cornerbacks e mais rápido que a maioria dos linebackers. Só que agora Carr só tem um deles e não há mais ninguém como arma profunda no elenco para auxiliar a manter o esquema.
Renfrow é talentoso, mas exibe suas maiores qualidades saindo do slot. Zay Jones, que é veloz, mal tem 150 jardas recebidas neste ano. Essa é a hora de Bryan Edwards aparecer – ele tem mais de 300 jardas recebidas e uma alta média de 19,2 jardas/recepção[foot]Pro Football Reference[/foot] -, mas esperar muito dele é sonhar demais.
Dessa forma, a responsabilidade recairá inteiramente sobre o nível de jogo de Carr. Abdicar do sistema anterior não será uma solução; a amostra é pequena, mas em todas as vitórias dos Raiders neste ano sua média de jardas/tentativa foi superior a 7,5, enquanto nas derrotas foi inferior a 6,5. Faltarão armas, mas ele possui qualidade para isso.
Quando Waller esteve fora, Derek soube distribuir o jogo e lidar com sua ausência. Agora, ele precisa encontrar vida sem sua arma em profundidade. Edwards não será efetivo como Ruggs, porém, só tem um drop no ano, então conseguirá agarrar um bom passe. O que caberá ao quarterback é não hesitar, pois ele sempre teve problemas sobre pressão – 5 de suas 7 interceptações neste ano vieram assim. É á hora de jogar como nunca antes.





