Continuidade no ataque favorece Cousins em 2020

Kirk Cousins teve um grande 2019 e cenário para a próxima temporada é positivo. Quarterback pode levar os Vikings ao título da NFC North?

Por quase todas as métricas de eficiência existentes, Kirk Cousins esteve entre os melhores quarterbacks da NFL em 2019, e uma análise mais profunda de suas apresentações confirma esses dados. O bom desempenho do ataque como um todo resultou numa mudança na comissão técnica, com a saída de Kevin Stefanski para o posto de treinador principal no Cleveland Browns e a promoção de Gary Kubiak para coordenador ofensivo.

Para sorte da Minnesota, as bases dos sistemas ofensivos de Stefanski e Kubiak se convergem, de modo que não deverão haver grandes adaptações e mudanças por parte dos jogadores, um ponto essencial num ano que a pandemia limitou as aclimatações. No artigo de hoje, vamos explorar as tendências esquemáticas de Kubiak que fazem de Cousins um candidato a manter o alto nível em 2020.

Como o ataque funcionava

Se você quer entender melhor o ataque de Minnesota, esse artigo da época dos últimos playoffs é um bom início. É importante notar que os Vikings são o segundo time que mais utilizou 12 personnel (2 WRs, 1 RB, 2 TEs) na liga, utilizando a formação em 34% das vezes – atrás apenas do Philadelphia Eagles, com 52%.

Como a linha ofensiva não era das melhores, os tight ends constantemente estavam dentre os bloqueadores numa determinada jogada, o que tirava algumas das opções de recebedores. Por outro lado, isso permitia que o ataque, que operava em base majoritária under center, disfarçasse melhor suas chamadas, pegando defesas de surpresa em play-actions e resultando em ótimos ganhos de jardas.

Como os Vikings tinham Stefon Diggs e Adam Thielen como principais recebedores, um número menor de alvos numa determinada jogada não era necessariamente um problema, já que havia a confiança de que eles poderiam conseguir separação por conta própria, o que de fato acontecia. Em resumo, era a tempestade perfeita para Cousins.

É nessa hora que vale notar que, além da troca no posto de coordenador ofensivo – que é o maior responsável pelo ataque nos Vikings, já que o head coach, Mike Zimmer, tem histórico e maiores responsabilidades no lado defensivo -, Minnesota trocou Stefon Diggs com o Buffalo Bills. Com a pick adquirida, a organização adicionou Justin Jefferson, que tem maior afinidade em operar no slot. Um bom jogador, porém, nesse momento, seu nível certamente é inferior ao de seu antecessor.

O ataque de Kubiak tem a mesma essência

Na sideline, a carreira do novo coordenador ofensivo começou logo após sua aposentadoria dos campos. Logo de início, ele foi treinador de quarterbacks no San Francisco 49ers em 1994, quando o time venceu o Super Bowl. No ano seguinte, ele assumiu o posto de coordenador ofensivo no Denver Broncos, time pelo qual ele jogou, vencendo mais dois títulos sob a tutela de Mike Shanahan. Ele assumiu o posto de head coach no Houston Texans em 2006, onde ficou até 2013; após sua demissão, foi coordenador ofensivo no Baltimore Ravens em 2014 e retornou ao posto de treinador principal em 2015, vencendo mais um Super Bowl com os Broncos até sua saída por questões de saúde.

Desde os Texans, quando ele de fato assumiu o total controle de um ataque, uma tendência esquemática de Kubiak é a utilização da West Coast Offense e um jogo terrestre em zona – herança de Mike Shanahan em Denver -, o que facilita muito a criação de oportunidades por meio de play-action. Essa notícia é ótima para o torcedor dos Vikings, que sabem que Cousins é excelente em jogadas desse tipo, estando entre os melhores da liga no quesito. Em 2019, Stefanski chamou fakes em 31,4% das jogadas de passe, a quinta maior marca da NFL.

Cousins deverá contar novamente com uma alta dose de jogadas em 12 personnel. Acredito, inclusive, que essa possa se tornar a principal formação da equipe, já que não existem grandes opções de wide receiver após Jefferson e Thielen. As opções em Irv Smith Jr. e Kyle Rudolph são animadoras. O primeiro é um ótimo bloqueador e teve um ano de calouro produtivo, enquanto o segundo melhorou muito no quesito de proteção. Eles podem tanto reforçar os bloqueios ao quarterback como receber passes e certamente não terão problemas em nenhum dos quesitos.

Num sistema com o qual ele já está familiarizado e demonstrou sucesso, a seta aponta para cima no desempenho individual do jogador na próxima temporada. Cousins mostrou que pode ser um quarterback eficiente, venceu jogos na pós-temporada e, mesmo com a saída de Diggs, apostaria em mais um ano produtivo de Kirk.

Leia nossas prévias de temporada:
Prévias 2020: Última chance: Carr pode levar os Raiders aos playoffs? 🏈
Prévias 2020: Dinastia segue sob o sol da Flórida em “Tompa Bay”?
Prévias 2020: Mahomes pode começar uma dinastia nos Chiefs?
Prévias 2020: Com elenco forte, 49ers têm tudo para voltar ao Super Bowl

“odds