Era um time muito engraçado: não tinha quarterback, não tinha treinador, não tinha uma grande defesa – não tinha nada. Na segunda metade da última década, o torcedor do Cincinnati Bengals entendeu bem o que é passar fome na selva. A franquia vivia de migalhas e não era possível encontrar esperança maior.
Andy Dalton, Marvin Lewis – os Bengals tinham em seu elenco, nomes que representavam a mediocridade. Mike Brown, presidente do time, nunca tinha visto sequer o time vencer uma partida de pós-temporada desde que assumira o cargo, em 1991; quando sucedeu seu pai, a lenda Paul Brown.
Nem mesmo quando o time resolveu trocar de treinador ao contratar Zac Taylor – um milagre, afinal, Lewis ficara 16 anos no cargo amparado em campanhas pífias -, uma fagulha dava mostras de que seria acesa. O time não engrenava, faltava um algo a mais. Mas de repente, quando ninguém esperava, um fogaréu se iniciou. Joe Burrow, Ja’Marr Chase, Trey Hendrickson…, tudo se alinhou.
Não se engane, os Bengals não são fogo de palha. Isso é só o início de um período de bonança para um torcedor que tanto sofreu.
A época das vacas magras
Sofrimento não é um exagero para o que o torcedor de Cincinnati sofreu nos últimos anos. Pensando somente na última década, para não criarmos uma linha do tempo tão longa, a equipe viu talentos serem desperdiçados pela atitude de Brown em tolerar a mediocridade. A. J. Green, Andrew Whitworth, Carlos Dunlap, Geno Atkins. Nomes que você, com certeza, se lembra de colocar na lista dos melhores de cada posição. Eles jogaram juntos e, mesmo assim, não foi o suficiente. Quantas vezes não especulamos o que seria de Green se ele jogasse em uma franquia decente? Teria a atenção devida?
Se com eles estava ruim, sem eles seria tenebroso. Quando os Bengals começaram sua reformulação, parecia que ela seria longa. Trocar Dalton era fácil, agora se livrar dos talentos do entorno era uma tarefa completamente diferente, ainda mais com um treinador novato na área. Taylor chegou apenas com a alcunha de “parça de Sean McVay”, seria difícil ele dar conta do recado.
Tudo bem que Cincinnati não é uma franquia que chama muitas atenções pelo retrospecto negativo, mas isso não diminui a paixão de seus fãs. Quanto maior o tempo das vacas magras, mais o torcedor fiel permanece com a equipe. A paixão aumenta. Assim, ir atrás de Joe Burrow fazia tanto sentido. Era mais que a qualidade: era a mentalidade.




