Do sonho ao pesadelo: O colapso do Indianapolis Colts

Em menos de um mês, time foi do céu ao inferno: além de ver temporada 2025 naufragar, Colts ainda terão que lidar com um futuro que pode ser tenebroso

No mundo da NFL, a linha entre a ousadia genial e a irresponsabilidade é tênue. No entanto, o que a diretoria do Indianapolis Colts fez nesta temporada não caminha sobre essa linha; ela a cruzou, pisoteou e depois ateou fogo.

Basta olharmos para os escombros do que era uma campanha de 7-1, é preciso ignorar o azar das lesões por um momento e focar na raiz do problema: a arrogância de acreditar que oito semanas de bom futebol americano apagavam seis anos de mediocridade, e a loucura de hipotecar o futuro baseada nessa alucinação.

O canto da sereia de Daniel Jones

A maior crítica que se deve fazer a Chris Ballard e Shane Steichen não é sobre a lesão de Jones — lesões são o risco inerente do esporte —, mas sim sobre a avaliação de talento a longo prazo.

Os Colts caíram na armadilha mais antiga dos esportes: a “amostragem pequena”. Daniel Jones estava jogando bem? Sim. Mas quem ignora a história está condenado a repeti-la. Jones foi dispensado de New York por um motivo. Durante meia década, ele foi a definição de inconsistência e má-tomada de decisão.

Acreditar que Shane Steichen possuía uma “varinha mágica” que consertou fundamentalmente Jones para sempre foi um ato de soberba. A franquia operou sob a premissa de que Jones era a resposta definitiva para os próximos anos, ignorando que o seu sucesso recente era a exceção, e não a regra, em sua carreira. Você não aposta a casa em um jogador cujo histórico é 80% dúvida e 20% certeza. Ao tratar Jones como um “franchise QB” inquestionável após apenas dois meses bons, planejando renovação, os Colts construíram um arranha-céu sobre areia movediça.

“All-in” com 8 e 9 na mão

Se confiar cegamente em Jones foi um erro de avaliação, a troca por Sauce Gardner foi um erro de construção de elenco e valor posicional.

Entenda: Sauce Gardner é um excelente jogador. Em um vácuo, qualquer time o quereria. Mas a NFL não é jogada no vácuo; ela é jogada sob um teto salarial e com recursos de Draft finitos. Enviar duas escolhas de primeira rodada por um cornerback — uma posição que, embora vital, mas que não impacta como um QB — é um luxo que apenas times com a posição de quarterback resolvida por uma década (como Chiefs ou Bills) podem se dar.

Para um time cujo QB titular é uma reabilitação de carreira (Jones) e cujo reservas imediatos são um possível bust e um calouro de sexta rodada, queimar o capital de Draft foi um suicídio institucional. As escolhas de primeira rodada são a “apólice de seguro” da NFL. Elas servem para duas coisas: selecionar talentos baratos de elite ou, crucialmente, subir no Draft para pegar um novo quarterback se o plano A falhar.

Ao enviar essas escolhas para os Jets, Ballard jogou fora seus botes salva-vidas. Ele disse ao mundo: Não precisamos de seguro, Daniel Jones é o nosso cara. Agora, com Jones rompendo o tendão de Aquiles, os Colts estão presos. Eles não têm o QB, não têm como draftar o substituto de elite e não têm moeda de troca para buscar um veterano viável.

E não para por aí

A busca patética por Philip Rivers aos 44 anos é o sintoma, não a doença. É o que acontece quando você planeja o sucesso sem considerar o fracasso.

Chris Ballard sempre foi elogiado por ser conservador e calculista. Mas, ao tentar salvar seu emprego transformando um time bom em um “supertime” artificialmente rápido, ele cometeu o erro oposto: foi imprudente. Ele comprou as turbinas (Sauce Gardner) para um carro cujo motor (quarterback) já tinha 200 mil quilômetros rodados e um histórico de quebras.

Agora, o motor fundiu. E os Colts descobrirão, da maneira mais dolorosa possível, que jantes de ouro não fazem o carro andar. A franquia não está apenas fora da briga em 2025; devido à falta de escolhas de primeira rodada e à incerteza sobre a recuperação de Jones, Ballard pode ter condenado o Indianapolis Colts à irrelevância até 2027.

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