Não há muito tempo atrás, a Final da Conferência Nacional foi disputada entre Seattle Seahawks e San Francisco 49ers – sim, a sua referência daquele jogo é aquela entrevista de Richard Sherman logo depois da interceptação final que selou o triunfo dos Seahawks. Seis anos depois, esses mesmos dois times possuem a melhor campanha da conferência (empatados com os Saints) e, nesse momento, são ameaças fortíssimas na pós-temporada.
O grande problema é que, independente da força das equipes, só uma delas pode vencer a NFC West. Com 10 vitórias em 12 jogos, para os dois times, jogar em janeiro é uma realidade; só que um deles terá folga na primeira semana da pós-temporada (e um jogo dentro de seu estádio), enquanto que o outro terá de atuar como visitante na rodada do wild card.
Seja lá quem sair como vencedor na disputa, é improvável que ela tenha fim até a semana 17, quando os dois times terão a revanche do primeiro jogo da temporada, vencido pelos Seahawks na prorrogação. Nesse momento, o time de Seattle é quem tem a vantagem na divisão por conta do confronto direto; porém, San Francisco também controla seu próprio destino.
Apesar da campanha positiva e da matemática ainda ser possível, é extremamente improvável que os Rams retomem terreno na briga pela divisão, portanto, eles não serão incluídos.
49ers: derrotas aceitáveis, mas tabela é dificílima na parte final da temporada
San Francisco foi o último time da NFL a perder sua invencibilidade, justamente para Seattle num incrível Monday Night Football na semana 10; a outra derrota foi para o Baltimore Ravens fora de casa e por uma diferença de apenas 3 pontos. Ou seja, as duas derrotas dos 49ers nessa temporada foram para equipes de nível tão alto quanto e em jogos apertados.
O problema é que, mesmo assim, o time está atualmente na segunda posição da divisão por conta dos critérios de desempate. Os 49ers indubitavelmente são um time forte, mas nos dois jogos contra times que também são de elite, foram derrotados – e não, eu não acho que os Packers são um time de elite em 2019. Isso não anula a força dos comandados de Kyle Shanahan, afinal, não há demonstração maior de força do que dominar oponentes mais fracos – mas abre, sim, um pouco de margem para dúvidas.
E o time dos 49ers em campo é de causar lágrimas nos olhos (de felicidade, claro) para os torcedores do time. Liderados por uma defesa praticamente impenetrável – a segunda melhor da liga de acordo com a métrica DVOA – e com um ataque bastante funcional desenhado por Shanahan e comandado por Jimmy Garoppolo, é evidente que esse é um time cuja construção pode dar resultado quando janeiro chegar.
A maior complicação para o time está justamente nos adversários. No próximo domingo, os 49ers viajam até New Orleans para enfrentar os Saints, justamente o outro time da conferência que possui 10 vitórias além dos rivais da NFC West; além disso, na última semana, o jogo contra os Seahawks será em Seattle, o que dá um leve favoritismo aos donos da casa. O jogo contra os Falcons em casa deve ser uma vitória tranquila, e não acredito que os Rams darão muito trabalho no Levi’s Stadium. Um 12-4 é uma possibilidade bastante plausível aqui, o que quase que certamente forçaria San Francisco a jogar a rodada de wild card.
Seahawks: tabela mais fácil e vantagem no confronto direto, mas time não tão dominante
Eu sei que chamar um time que venceu 10 de 12 jogos de “não tão dominante” pode parecer ultrajante para o torcedor dos mesmos, todavia, um subtotal de 01 (uma) vitória dessas 10 foi por mais de uma posse de bola, lá na semana 4 contra o Arizona Cardinals. E, como nós sabemos, equipes que vencem jogos apertados num ano tendem à regredir na temporada seguinte.
Nem mesmo as métricas avançadas classificam os Seahawks como um time assim tão superior, já que o DVOA geral aponta o time como a 6ª equipe mais forte da NFL. Na era de Pete Carroll, existe uma tendência relativa de Seattle não dominar tanto assim seus oponentes mais fortes. Com uma defesa apenas mediana (16ª segundo o DVOA), a temporada de MVP de Russell Wilson vence jogos e tem a equipe nesse momento como líder da NFC West, mas se manter nessa condição após o fim da temporada regular não vai ser assim tão fácil.
Primeiro, os Seahawks viajam até Los Angeles para visitar os Rams, que estão desesperados e ainda querem uma vaga nos playoffs via wild card; depois, visitam os Panthers e recebem os Cardinals, e eu não consigo ver o time perdendo nenhum desses jogos. Por fim, encerram a temporada regular justamente contra os 49ers, num jogo que muito possivelmente definirá o título da NFC West, a folga na primeira semana dos playoffs e a vantagem de jogar em casa ao menos uma partida em janeiro.
Acho que é perfeitamente possível que Seattle seja derrotado por Los Angeles no próximo Sunday Night Football, assim como acho provável que San Francisco saia derrotado de New Orleans. Se os Seahawks chegarem ao confronto da semana 17 com um jogo de vantagem sobre os 49ers, então esse duelo perde o valor, já que, mesmo se os visitantes ganharem, os donos da casa ainda vão ter a vantagem nos critérios de desempate e levariam a NFC West.
Independente das previsões que fizermos aqui, é certo que essa briga se arrastará, ao menos, até a penúltima semana da temporada regular – seria bom que chegássemos até a semana 17 com o título da divisão ainda em jogo, afinal, quem não quer ver um duelo entre dois grandes elencos com muita coisa em jogo? Acho difícil fazer uma previsão, mas o certo é que, seja lá quem vença a NFC West, os dois times serão grandes ameaças na pós-temporada.






