
Quando um jovem quarterback mostra coisas interessantes em seu ano de calouro, todos crescem os olhos para ele. É exatamente essa a situação de Drake Maye, segundanista titular do New England Patriots.
Jogando num time que esteve acostumado com a excelência de Tom Brady por anos, ele tem um grande desafio: provar que é o cara que merece ocupar o lugar atrás do center que um dia foi do camisa 12.
Em 2024, Maye se tornou titular apenas na semana 6 e seus números foram irregulares: 15 touchdowns (+2 corridos), 10 interceptações e 6 fumbles perdidos. É claro que uma coisa precisa ser dita: o time dos Patriots era horrível e Jerod Mayo jamais deveria ter sido treinador.
Para 2025, Mike Vrabel será o head coach e muitas mudanças aconteceram no elenco. Pensando nisso tudo, resolvi fazer uma análise criteriosa de tudo que cerca Maye e mesmo do que esperar de seu jogo.

Comissão técnica dos Patriots: Vrabel, McDaniels e o impacto em Drake Maye
A troca de Jerod Mayo por Mike Vrabel traz mais efeitos organizacionais que diretos no jogo de Maye. É claro que ter um treinador que venceu o prêmio de melhor do ano em 2021 impacta positivamente, em especial quando se fala de cultura vencedora. Vrabel deve organizar o time melhor, fortalecer o lado defensivo e maximizar talentos.
Contudo, quando falamos do dia a dia, as principais mudanças passam por coordenador ofensivo e treinador de quarterbacks: saem Alex Van Pelt e T.C. McCartney, entram Josh McDaniels e Ashton Grant.
O renome de McDaniels brilha aos olhos, mas a verdade é que ele teve apenas um sucesso sem Tom Brady: o ano de calouro de Mac Jones. Longe da aba de Bill Belichick, as coisas foram um fracasso total. Que Josh entende de futebol americano, todos concordam. Todavia, quanto o ataque terá sua mão? Até onde Vrabel colocará um freio e seu toque aparecerá? Quando Josh teve total autonomia, as coisas não funcionaram, basta olhar seu histórico.
Já o nome de Grant não é tão conhecido — ele tem apenas 29 anos —, mas tudo que se ouve dele é muito positivo. Após passar 5 anos no Cleveland Browns sob a tutela de Kevin Stefanski, ele será o nome responsável por ajudar no desenvolvimento de Maye. Vrabel o conheceu no último ano, quando foi consultor defensivo em Cleveland, e ficou encantado. Vale lembrar que os Browns tiveram uma rotação enorme na posição neste lastro de tempo e, mesmo assim, foram duas vezes para a pós-temporada.
Mesmo com algumas dúvidas sobre McDaniels, é evidente que a comissão técnica melhorou e pode ajudar mais Maye do que os nomes que estavam em 2024.

Sistema ofensivo em 2025: o que McDaniels traz para Maye?
Não acredito que o sistema de Alex Van Pelt fosse ruim: a execução que era pífia. Os Patriots de 2024 foram o segundo pior time em eficiência nas primeiras descidas e o décimo pior nas segundas, muito por falhas técnicas claras de seus jogadores.
McDaniels tem uma premissa básica: ser simples e eficiente. Futebol americano, para ele, precisa ser violento na linha de scrimmage a ponto de o oponente focar seus olhos ali. Essa é sua arapuca, onde aí, sim, ele solta o play-action e aproveita o fundo do campo.
Com as adições ofensivas — falaremos adiante —, espere um time que não hesitará em colocar 2 tight ends ou um fullback em campo, para tentar amassar o oponente em corridas com bloqueios de gap scheme, especial em primeiras descidas. Josh adora controlar o tempo, ter um ataque que faz drives longos e que não acelera sem necessidade entre uma descida e outra.
Conceitos de passes rápidos sem play-action também serão rodados em larga escala: Snag, Stick, Slant-Flat e Levels são algumas das principais jogadas que McDaniels gosta. O objetivo é dar a Maye leituras rápidas, que tirem a bola de sua mão logo, diminuindo a média de 2,67 segundos para lançamentos em dropbacks diretos que Maye teve na temporada passada.
É claro que o screen game também estará em voga, tentando colocar a linha ofensiva em movimento: Josh é um dos melhores desenhando esse tipo de jogada da liga, em especial para tight ends.
Esperem um time mais físico, agressivo e focado em execução de qualidade, mas sem nenhuma revolução tática.
Linha ofensiva dos Patriots: nova proteção para o QB
Pútrida: acredito que essa seja a melhor forma de definir a proteção da linha ofensiva dos Patriots em 2024. Segundo pior time em vitórias nos bloqueios de passe, a unidade viu Drake Maye precisar acelerar seu processo por diversas vezes, deixando jogadas em campo pelo simples fato de não poder fazer as progressões.
Para resolver os problemas na ponta da linha, Will Campbell foi selecionado logo na pick 4 do Draft. Apesar da envergadura abaixo do padrão, a perspectiva é de um jogador que consiga ser efetivo logo de cara, por conta da boa velocidade dos pés, inteligência e bom uso das mãos. Morgan Moses é um veterano interessante para o lado oposto, fazendo um sólido lado direito com o bom Mike Onwenu.
Garrett Bradbury e Cole Strange completam a linha com menos brilhantismo, e não será de espantar se um deles perder a posição para o calouro Jared Wilson em algum momento.
Vale também ressaltar que o running back Treveyon Henderson — escolha de segunda rodada — é ótimo bloqueador, podendo aparecer em descidas claras de passe.
Uma linha de elite? Longe disso. Mas sólida e dando tempo para seu quarterback jogar futebol americano, algo que não aconteceu em 2024: dá para ver isso em New England neste ano.
Recebedores, Henderson e a evolução do elenco: é o suficiente?
Antes de falar sobre os recebedores, parte mais importante do suporte a Maye, é preciso destacar que Henderson — já citado — é um corredor com grande capacidade de big plays: ele correu para mais de 15 jardas a cada 7 tentativas no college football e teve mais de 4,4 jardas após o contato. Ter um corredor assim deve ajudar o antes capenga jogo corrido.
Todavia, é sobre os recebedores que precisamos falar. O grupo da temporada passada foi muito criticado, mas a verdade é que ele era apenas parte de uma engrenagem falha. Alguma potencial superestrela estava lá? Não. Mas, tal qual Maye, os jovens tiveram seu desenvolvimento atrapalhado pelo conjunto da obra.
Entre os remanescentes, vale ficar de olho no lépido Demario Douglas, que pode ocupar a vaga no slot, tão produtiva nos ataques comandados por McDaniels: suas mais de 5,5 jardas após a recepção o tornam candidato a ser “Julian Edelman” — apenas na função, pelo amor de Deus! — dessa versão ofensiva.
Stefon Diggs traz experiência para o grupo e sua capacidade de correr boas rotas deve abrir janelas rápidas, algo fundamental para Drake. Já o calouro Kyle Williams tem como função trazer velocidade pura, seja com a bola nas mãos ou esticando o campo. Todavia, Williams precisa de melhora correndo rotas e não é muito físico, enquanto Diggs volta de lesão, com a idade batendo à porta.
Aos demais nomes, caberá provar que podem ser úteis para McDaniels. Vale lembrar que nenhum deles tem o benefício de ter sido escolhido pela atual comissão técnica, que não hesitará em dizer tchau para qualquer um.
Um grupo sem brilho, que deve funcionar no encaixe do sistema, mas que precisará provar que pode entregar: essa é a situação dos recebedores de Maye em 2025.

A evolução de Drake Maye: erros de calouro, blitzes e leitura de jogo
Nem tudo passa por sistema, proteção ou recebedores. Existem pontos em que Maye precisa evoluir e que foram sua responsabilidade em 2024.
Um que é vital é o entendimento das blitzes e sua tomada de decisão: foram 5 interceptações, 54% de passes completos e 5,6 jardas por tentativa quando o oponente mandou mais de 4 homens atrás dele. Números fracos, que condizem com o tape, onde se viu um Maye cru e não entendendo as pequenas nuances que o obrigariam a ajustes. Ter mais controle da scrimmage será vital para evoluir.
Outro ponto passa pelo entendimento da velocidade do jogo, onde o camisa 10 foi pego em algumas situações: janelas se fecham rapidamente e não há tempo para hesitação. Por fim, uma melhora na mecânica para o sistema de passes rápidos é vital para colocar seus recebedores em posição de produzir após a posse.
Vale ressaltar que Maye mostrou ótimos momentos produzindo fora da estrutura, o que pode fazer com que ele seja usado em jogadas fora do pocket: braço não lhe falta. Drake também mostrou uma fibra interessante, não se abatendo após sacks ou turnovers, além de ter ido se acostumando com o pocket com o passar das rodadas, trazendo uma curva de evolução interessante dentro do que era possível no cenário caótico.

Vai dar certo em 2025? Prognóstico realista para Maye
Não se pega um casebre e se transforma em palácio da noite para o dia na NFL: se você quer isso, procure Jonathan e Drew. O torcedor de New England pode não gostar, mas ao fim de 2024, os Patriots eram um casebre — e dos mais mambembes.
Melhorias foram feitas em todas as áreas e, quando comparamos com a temporada passada, as chances de melhora são evidentes. É claro que isso impacta em Maye e seu desenvolvimento. Porém, não dá para ser leviano e achar que os Patriots se tornaram um time dos melhores e que são fortes candidatos a brigar por algo nesse momento. O campo pode contrariar essa previsão, mas a ideia é dar o primeiro passo de uma construção.
Evolução de quarterback é um tema bastante delicado atualmente. As exceções que deram certo rápido são tratadas como regra e a cobrança exige que os jovens entreguem cada vez mais brevemente na posição mais difícil dos esportes coletivos.
Dá para dizer que Maye teve um ano ok em 2024 dentro de toda a bagunça de Mayo e seus patetas. Os flashes apareceram, mas os problemas que deveriam ser corrigidos durante o ano não foram. É de se esperar que ele evolua em 2025 e se torne um bom quarterback, mas que as inconsistências — em menor escala — ainda apareçam, em especial na primeira metade da temporada.
De novembro em diante, o panorama é de um quarterback mais seguro e que consiga deixar uma grande esperança do real salto para 2026, se firmando como um nome que pode levar os Patriots mais longe se tiver o arredor de qualidade.
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