Tem uma história muito importante acontecendo na NFL nesse momento da intertemporada em que absolutamente nada acontece. Eu sei, você sabe, todo mundo sabe que estamos falando da briga entre Aaron Rodgers e Green Bay Packers, com o quarterback querendo em ser trocado para outra equipe e interessado em nunca mais precisar vestir a camisa dos Packers.
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Só que, entre a troca ou a permanência, uma opção pouco discutida e que não pode ser 100% descartada é se Rodgers anunciar sua aposentadoria da NFL. Já vimos Drew Brees encerrar sua carreira no mês de março e essa decisão teve implicações importantes na folha salarial do New Orleans Saints.
Então, vamos explicar no texto de hoje: no caso de um jogador se aposentar, o time precisa continuar lhe pagando?
Resposta está na estrutura do contrato
Pegando um pouco do texto que explica as reestruturações de contrato, precisamos lembrar aqui: o que importa num valor de contrato não é sua média anual, e sim sua estrutura. Os times fazem todos os malabarismos possíveis para adequar seus jogadores ao teto salarial em um determinado ano e, quando isso não dá muito certo, precisam alterar as estruturas dos contratos para não ultrapassarem o limite. As equipes fazem isso por meio dos bônus de assinatura, que são inteiramente garantidos ao jogador.
É justamente o bônus de assinatura que é a parte importante de toda discussão entre uma franquia e um jogador aposentado.
Quando um jogador é cortado do elenco ainda com dinheiro garantido nos anos seguintes, todo esse dinheiro é transformado em penalidades na folha salarial no ano vigente do corte, no que é chamado de accelerated cap hit. Em outras palavras: se Jogador X é cortado com dois anos restantes no contrato e 4 milhões de dólares garantidos em cada um desses anos, as garantias são aceleradas para a folha salarial daquele ano. Ou seja: o time terá 8 milhões de dead cap já no ano do corte, mas não terá penalidade a partir do ano seguinte.
Quando um jogador se aposenta, é a mesma coisa: o time não precisa mais pagar o salário base daquela temporada ou o bônus por presença no elenco, mas ainda precisa pagar o dinheiro garantido por meio dos bônus de assinatura no ano da aposentadoria, e esse dinheiro conta na folha salarial. Claro, muitas vezes esse não é um valor exorbitante, afinal nenhum time daria tanto dinheiro garantido pra um jogador que está tão perto de se aposentar, só que existem casos e casos.
Barry Sanders Rule
O mais famoso deles sem dúvida é o de Barry Sanders no Detroit Lions, que serviu inclusive de precedente para situações iguais no Acordo Coletivo de Barganha.
Sanders, uma superestrela, estava exausto de jogar (e perder) pelos Lions, que não estavam dispostos a trocá-lo ou cortá-lo. Ele então preferiu se aposentar do que voltar a jogar por Detroit, todavia, dois anos antes o jogador assinou uma extensão contratual de 6 anos que lhe rendia 11 milhões de bônus de assinatura. Com a aposentadoria, os Lions exigiram que ele devolvesse metade desse valor, o que ele prontamente recusou. O caso foi então para a justiça, que decidiu que Sanders devia devolver 1,83 milhões de dólares (1/6 do valor) a franquia, com o restante do bônus a ser devolvido nos últimos três anos do contrato do jogador.
Essa decisão foi importante pois, na assinatura do CBA seguinte, ficou explicitado que no caso de aposentadoria, um time tinha a opção de exigir de volta o bônus de assinatura recebido por um jogador que se aposentou com tempo de contrato, com o caso sendo julgado pela NFL. Isso é importante pois se a equipe receber de volta o bônus de assinatura, esse dinheiro deixa de contar como dead money na folha salarial. Nem todos os times fazem isso: o Seattle Seahawks, por exemplo, não exigiu o signing bonus de volta de Marshawn Lynch. O mesmo Detroit Lions, em contrapartida, exigiu dinheiro de volta de Calvin Johnson quando este se aposentou em 2015, estremecendo a relação entre jogador-franquia até hoje.
O exemplo Drew Brees
Para fechar esse texto, vamos explicitar o caso recente de Drew Brees. Em fevereiro, os Saints reestruturaram seu contrato para liberar 24 milhões na folha salarial antes de sua aposentadoria, transformando seu salário base para menos de 1 milhão de dólares. New Orleans ainda tinha de pagar 22,65 milhões em bônus para Brees – só que, diferente de Detroit, eles foram inteligentes o suficiente para não criar atrito com um jogador tão importante para a franquia.
O que os Saints fizeram foi uma manobra para que, ao invés de pagar esse valor inteiro em 2021, só colocaram Brees na lista de aposentados depois de 1 de junho, o que lhes permitiu dividir esse valor em 2 anos. Assim, New Orleans teve de pagar 11,15M na folha salarial em 2021 e 11,5M em 2022, tudo isso enquanto seu maior ídolo ficava com o dinheiro.
Em resumo, cada caso é um caso. Em grande parte das situações, a equipe precisa continuar pagando o jogador por conta da estrutura dos contratos previamente assinados.
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