Já deu para Mike McCarthy em Dallas?

Apesar dos números não serem ruins, McCarthy é muito contestado e com razão: o elenco tem talento para mostrar mais, em especial em partidas grandes. O problema para ele é que Jerry Jones parece bem menos paciente que no passado

Cowboys

Quando seu chefe usa as palavras “extremamente desapontado”, é sinal que as coisas não vão bem. Jerry Jones usou exatamente esses termos para se referir ao Dallas Cowboys após a derrota para o San Francisco 49ers nos playoffs. Claro que ele não apontou o dedo para ninguém, mas a primeira batata que assa é sempre a do treinador: neste caso, Mike McCarthy. Ainda mais quando o treinador resolve chamar uma jogada estapafúrdia como uma corrida do quarterback e o relógio estoura, impedindo uma tentativa de empate, como aconteceu.

McCarthy é o gerente que não gosta de sair da mesa

Todo mundo que trabalha em uma empresa já conheceu um gerente, com certa fama por vir de alguma concorrente, que está lá, mas que raramente dá uma solução. É aquele cara que toca a bola pro lado, enrola e só fala óbvio. No começo, ninguém se incomoda muito, acredita que seja ambientação e logo seu melhor irá aparecer. Com o passar do tempo, as pessoas notam que é aquilo mesmo: esse é Mike McCarthy em 2 anos de Dallas Cowboys. Por mais que os resultados sejam relativamente bons, existe pouco de seu dedo ali.

O ataque de Dallas é todo do coordenador Kellen Moore, que já estava na função antes da chegada do treinador. Apesar de gostar do trabalho, Moore por vezes empaca em algumas repetições, não conseguindo encontrar alternativas, em especial na segunda metade da temporada. Isso ficou evidente na derrota para os 49ers. Nesse momento, se espera que o comandante do barco assuma o leme, chame o coordenador e diga: “ok, daqui em diante, esse é o plano”. Tudo que se via é McCarthy olhando para o telão, como se não fosse com ele. Além de tudo aprovou o plano trágico da derradeira campanha já citada.

Já na defesa, Dan Quinn dita as regras. Ele chegou em 2021 com autonomia total, substituindo Mike Nolan, que tinha chegado com McCarthy em 2020. Quinn transformou mudou a unidade da água para o vinho, saindo da 28° para 7° que menos sofre pontos. Inclusive se cogitou que ele virasse head coach, mas McCarthy sobreviveu mais um ano.

Se existe sucessor, o impeachment é possível

Um drama para o treinador é que ele não está numa franquia mediana, num mercado pequeno. Os Cowboys são o time mais popular dos Estados Unidos e o Texas respira futebol americano. A seca de títulos, que vem desde 1995, é constante motivo de piadas e Jerry Jones tem quase como missão de honra mudar isso. Da velha guarda da NFL, o carismático dono da franquia de Dallas atua como general manager – mesmo não tendo esse cargo formal – e isso facilita uma troca de treinadores.

Quem parece disposto a voltar aos gramados é Sean Payton. Após deixar o New Orleans Saints em 2022, sob pretexto de se aposentar, ele já dá declarações dizendo que gostaria de voltar aos campos em 2023. Sua relação com Jones é forte, com alguns encontros nos últimos anos, onde Jerry deixou clara sua admiração pelo treinador. Vale lembrar que Payton trabalhou na franquia, como auxiliar de Bill Parcells de 2003 até 2005, de onde partiu para ser o head coach dos Saints.

A batata de McCarthy não está assando: está já sendo servida e cortada. Se ele não levar Dallas pelo menos para final de conferência, precisará atualizar seu currículo. Como minha aposta é que ele não consiga isso, dá para dizer que sim: já deu de Mike McCarthy nos Cowboys.

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