John Madden: a NFL muito além de uma série de videogame

Muito da popularização do futebol americano no Brasil e no mundo veio pelos esforços do ex-treinador e comentarista que leva o nome da famosa franquia da EA Sports

Se você está lendo esse texto nesta sexta-feira, existe uma chance considerável de que o seu primeiro passo na vida de fã de futebol americano surgiu por conta de John Madden. O (agora falecido) ex-treinador e ex-comentarista de NFL superou barreiras na popularização do esporte por um meio incomum: o videogame.

Madden deu seu nome a lendária franquia Madden NFL, da EA Sports, que detém os direitos sobre licenças de videogame da NFL e é a única no mercado desde 2004. A história do ex-treinador no esporte é extensa, desde seus tempos de treinador ainda na época pré-fusão AFL/NFL, e passa também por sua presença histórica como comentarista da liga, trabalhando para os quatro principais canais dos Estados Unidos (CBS, NBC, ABC e Fox) ao longo de três décadas.

Lenda com a prancheta na mão

Uma das estatísticas mais impressionantes da história da NFL tem Madden como protagonista: entre todos os head coaches que comandaram ao menos 100 jogos, ele tem a altíssima porcentagem de 75,9% vitórias. Mais impressionante ainda nesse caso é que, ao longo de suas 10 temporadas como treinador do então Oakland Raiders, ele terminou todos os anos com campanha positiva. Somente ele e Hank Stram, do Kansas City Chiefs, venceram tanto o título da AFL pré-Super Bowl quanto o próprio Super Bowl após a instituição do jogo.

Dentro de campo, ele foi o arquiteto de uma das defesas mais temidas em toda a história da liga, costumeiramente lembrada pela Soul Patrol, uma secundária que jogava de forma bruta na época em que a regra de interferência de passe ainda não existia. Com ele no comando, os Raiders fizeram cinco finais de conferência consecutivas na década de 70, vencendo o Super Bowl XI sobre o Minnesota Vikings do também lendário Bud Grant.

Sabe como a gente discute a ideia de uma possível aposentadoria de Sean McVay dos campos pra se tornar um comentarista de televisão? Foi basicamente o que Madden decidiu fazer com seus 42 anos de idade, citando principalmente que estava cansado da profissão quando acabou a temporada de 78. Alguns problemas de saúde também aceleraram a decisão, porém ele foi bastante assertivo: sua carreira como treinador tinha encerrado de forma irrefutável.

Lenda com o microfone na mão

16 Sports Emmys ao longo de uma carreira como comentarista que se iniciou em 1979 e perdurou até 2008, passando por CBS Sports (1979-1993), Fox Sports (1994-2001), ABC Sports (2002-2005) e, por fim, NBC Sports (2006-2008). O último jogo que ele comentou em sua carreira foi o Super Bowl XLIII entre Arizona Cardinals e Pittsburgh Steelers, uma das maiores finais da história.

O conhecimento de Madden em relação ao esporte junto de sua personalidade amigável e de seus bordões muito conhecidos – nenhum mais que o ‘Boom!’ quando rolava algum tackle com muita força – fizeram com que ele fosse um dos comentaristas mais populares do país, além do uso do telestrator, o aparelho onde hoje vemos os comentaristas de NFL desenhando na tela em tempo real. Para o fã comum, o jogo ficou mais próximo justamente por conta dele.

Lenda eterna no… videogame?

O termo ‘Madden’ não costuma remeter a carreira monumental como treinador ou como comentarista. E sim ao videogame.

Desde os tempos em que comentava na CBS Sports, Madden forneceu sua voz e seu nome para que a EA Sports criasse o John Madden Football, que posteriormente se transformaria no Madden NFL que jogamos hoje. A série é um sucesso completo, por mais que a gente sempre fique um pouco entediado com a mesmice a cada ano – e mesmo depois da aposentadoria, a EA Sports continua tendo a autorização para usar o nome Madden, algo que permanece em voga mesmo com sua morte em dezembro de 2021.

A capa da edição mais recente do jogo foi feita justamente para homenagear John Madden após seu falecimento.

O ex-treinador dos Raiders e comentarista popularizou o esporte de uma forma incomum, tornando-o muito mais acessível para o fã casual e também como uma porta de entrada para aqueles que não faziam a menor ideia do que era o futebol americano. Talvez por isso o sucesso da franquia se repita a cada ano. Se não fosse John Madden, a história do esporte (e provavelmente desse site) poderia ser bem diferente, e o impacto cultural que ele obteve na NFL é inigualável.

Muito além de um jogo de videogame.

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