Kyle Shanahan e 49ers: cultura não cai do céu, se constrói

Mesmo com o elenco dizimado por lesões, os 49ers não se abateram e estão no Divisional Round. Seja qual for o final no sábado, 2025 é a prova irrefutável de que Kyle Shanahan é um treinador da primeira prateleira.

Vira e mexe, a importância da cultura dentro de um time é pauta aqui no ProFootball. Muitas vezes, pela falta crônica dela. Entretanto, os exemplos positivos também merecem destaque de vez em quando. O tema de hoje é um dos melhores entre esses bons exemplos: o San Francisco 49ers de Kyle Shanahan.

Derrotas em Super Bowl e playoffs à parte, ninguém discute que o treinador é um pilar da cultura atual na franquia. Caso alguém duvidava ainda, o último domingo foi a prova viva disso. A vitória fora de casa em cima do Philadelphia Eagles foi contra uma série de fatores: defesa desfalcada, turnovers, George Kittle rompendo o tendão de Aquiles, etc. Ainda assim, o time se manteve vivo no jogo e conseguiu a vitória.

Mesmo com o elenco dizimado por lesões, os 49ers não se abateram e estão no Divisional Round. O próximo confronto é um velho conhecido: o Seattle Seahawks. Talvez essa montanha seja grande demais para os 49ers agora? Talvez. Mas seja qual for o final da história no sábado, 2025 é a prova irrefutável de que Kyle Shanahan é um treinador da primeira prateleira da liga.

Um atende na padaria, outro trabalha no posto e outro eu vi na feira

Poucas frases são tão célebres quanto essa de nosso grande mestre Deivis Chiodini. Atire a primeira pedra quem conhecia todos os linebackers dos 49ers no último jogo. Ou quem estava na linha defensiva. Sem Fred Warner, Nick Bosa e outros titulares, a defesa de San Francisco é um grande reduto de NPCs.

E ainda assim, eles foram cruciais para a vitória contra Philadelphia.

Após um começo trepidante, Robert Saleh e seus comandados começaram a fazer ajustes. Primeiro, contiveram Saquon Barkley. De 16 corridas para 91 jardas no 1° tempo, o running back dos Eagles teve 13 corridas para 40 jardas no segundo. Ao mesmo tempo, eles lançaram o desafio: Jalen Hurts, vença a gente você mesmo. E deu certo.

Com o jogo terrestre comprometido, a alternativa para os Eagles foi focar no jogo aéreo. Quem acompanhou toda a temporada regular sabia que Kevin Patullo é terrível o ataque dos Eagles nos 2° tempos era mais insosso do que comida de hospital. Dito e feito: Jalen Hurts pouco fez passando a bola e os recebedores também pouco fizeram. Isso quando eles não batiam boca com Nick Sirianni na sideline – alô, A.J. Brown!

San Francisco não tinha nada a ver com os problemas alheios. Pelo contrário: mostrou muita garra para superar os seus próprios dilemas. Robert Saleh é um senhor coordenador defensivo e a vitória foi só a cereja do bolo.

Times que não desistem encontram jeitos de vencer

A lesão de George Kittle poderia muito bem destruir o astral, especialmente do ataque. Durante boa parte do jogo, as coisas não fluíam do jeito que Kyle Shanahan queria. Jogo terrestre muito bem marcado, Brock Purdy cometendo turnovers, etc. Contra uma ótima defesa dos Eagles, cada erro poderia custar a temporada.

E ainda assim, eles foram cruciais para a vitória contra Philadelphia.

Uma das (poucas) fraquezas do sistema de Vic Fangio era defender os passes para running backs. Para termos uma ideia, a defesa dos Eagles cedeu em média 7 jardas por passe para running backs durante a temporada regular. Com ou sem Kittle em campo, San Francisco tinha como levar vantagem nesse match-up por um motivo: eles têm running back excelente recebendo passes também.

Embora Christian McCaffrey não tenha feito muito pelo chão, ele foi quase imparável como recebedor. Foram seis recepções para 66 jardas e 2 touchdowns. Detalhe: o primeiro foi AQUELE touchdown com o Jauan Jennings passando a bola. Sem Kittle, coube a Kyle Juszcyzk (o fullback!!) ser o alvo preferido de Purdy para as curtas-médias distâncias. Isso sem contar com Demarcus Robinson. O herói improvável foi o melhor recebedor da noite: 6 recepções para 111 jardas e o touchdown que abriu o placar para a equipe.

O próprio Purdy merece seu destaque também. Apesar das duas interceptações e pressionado à rodo, o quarterback não abaixou a cabeça, manteve o ataque vivo e mais: não desperdiçou as oportunidades. O passe para o segundo TD do McCaffrey é um bom exemplo disso. Purdy foge da pressão e encontra CMC na endzone, cortando a rota para dentro e deixando Nakobe Dean na saudade.

Como o Bulio escreveu no 5 Lições, a identidade dos 49ers é lutar até o fim. Porém, isso não vem de hoje: vem desde 2017, quando Shanahan virou o head coach. Nem sempre as coisas deram certo no final, como foram os dois Super Bowls – em 2019 e 2023 – e a temporada anterior, onde o time terminou com campanha 6-11. Ainda assim, desistir é um verbo que não existe na filosofia de Kyle Shanahan e o San Francisco 49ers.

E agora eles vão enfrentar a seed #1 de cabeça erguida.

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