Os desafios podem nos derrubar ou nos moldar para os momentos corretos. Baker Mayfield viveu os louros de ser uma primeira escolha geral da NFL; selecionado pelo Cleveland Browns, foi o responsável pela primeira campanha positiva da equipe após 13 anos de seca, bem como a primeira classificação à pós-temporada após 18 anos de ausência.
No entanto, a quebra de jejum não foi o suficiente. Cleveland preferiu seguir seu caminho com Deshaun Watson, enquanto Baker foi relegado à função de quarterback reserva. Com o Carolina Panthers, em 2022, teve péssimo início e perdeu vaga para Sam Darnold e P. J. Walker; no mesmo ano, foi tentar novo rumo com o Los Angeles Rams, onde também não colheu frutos.
Baker viu sua carreira chegar ao fundo do poço, no limite de se tornar um “mero passador reserva”, na melhor da hipóteses. Em 2023, encontrou a última grande chance de sua vida ao se tornar titular de um Tampa Bay Buccaneers que acabava de se despedir de um tal de Tom Brady.
O resto, amigos, é história.
Quando a perna a mão não responde, é o coração
Não é qualquer jogador que é selecionado por uma franquia como Cleveland e se mostra capaz de conduzi-la. Quando entrou em campo pela primeira vez, no longínquo 20/09/2018 (estou me sentindo velho), Baker foi responsável direto pela vitória dos Browns, encerrando uma das maiores sequências de derrotas na história da liga. Nas 34 partidas anteriores, a franquia tinha uma (!) vitória.
Desde o início, víamos que Baker poderia deixar a desejar em muitas coisas, mas uma nunca lhe faltaria: seu coração. Em 2025, isso se torna marca registrada, em um ano no qual ele se posiciona como forte candidato ao prêmio individual mais valioso na primeira metade da temporada.
BEAST MODE BAKER
SFvsTB on CBS/Paramount+https://t.co/HkKw7uXVnt pic.twitter.com/Bb1mV8ktZu
— NFL (@NFL) October 12, 2025
A jogada do último domingo foi estrondosa, mas vale ressaltar que não é a primeira vez que ele faz isso na temporada. Contra o Houston Texans, na semana dois, Baker salvou sua equipe em escapada semelhante em uma quarta descida que encerraria o jogo. Das cinco vitórias da equipe neste ano, quatro vieram com campanhas triunfantes do quarterback na última posse da partida.
Gutsy call to go on 4th down deep in their own territory and Baker picks up the first!
TBvsHOU on ESPN/ABC
Stream on @NFLPlus and ESPN+ pic.twitter.com/IoFhVUDbwU— NFL (@NFL) September 16, 2025
Mayfield tem confiança em seu time, comando do ataque/sistema e consegue “virar a chavinha” quando a situação se torna difícil. São características essenciais em um jogo no qual as intangíveis pesam. Isso, ele tem de sobra.
Sem estrelas, sem problema
Não é a primeira vez na carreira que Mayfield se vê em apuros com seu elenco de apoio. Em Cleveland, contava apenas com Jarvis Landry, sendo que em apenas uma das temporadas ganhou o auxílio de um Odell Beckham Jr. saudável. Enquanto as lesões no grupo de recebedores poderiam preocupar outras equipes, aqui elas são minimizadas.
No meio da partida contra o San Francisco 49ers, Baker não contava com seus três principais wide receivers: Chris Godwin, Emeka Egbuka e Mike Evans; além deles, não contava com Bucky Irving, principal running back. É isso que diferencia candidatos ao MVP de reles mortais. Eles elevam seu entorno, não sendo dependente deles em momentos específicos. O ataque de Tampa Bay poderia desmoronar ao perder peças essenciais, porém, seu quarterback foi capaz de liderar sua unidade perante os desafios.
O campo diz, as estatísticas confirmam
É sempre importante colocar os números em contexto, caso contrário, eles pouco podem nos dizer. Quando o bom nível pelos olhos se alia às estatísticas, todavia, estamos diante de um momento especial. Para além das grandes jogadas plásticas vistas aos finais de semana, Mayfield demonstra consistência entre os melhores da posição.
Ele é o quarto melhor em jardas totais (1539) e terceiro em touchdowns (12), além disso, reduziu um problema crônico em seu início de carreira, as interceptações; apenas uma neste ano, em 195 tentativas de passe (esse 0,5% é a melhor marca de sua trajetória por muito). Além disso, Baker se firma como um dos melhores passadores em profundidade na NFL (8 touchdowns para mais de 20 jardas, melhor marca com sobras), é o segundo melhor em big time throws (7%, estatística do PFF que mede passes precisos e muito difíceis em janelas apertadas).
Em suma: ele está jogando em altíssimo nível em todas as instâncias. Quando seu quarterback tem comando do ataque, tem personalidade, remove seu time de situações difíceis e ainda consegue ser eficiente, você está diante de uma situação especial.
Auge merecido
Na oitava temporada de sua carreira, longe do time que o selecionou com a posição mais importante do Draft, Mayfield está vivendo seu auge. Não foi sem esforço ou lutas, mas é assim que são formados os melhores. Ainda há muitas rodadas para a campanha de MVP ser confirmada ou mesmo para podermos sacramentar que ele, de fato, se firmou entre os melhores quarterbacks da NFL.
Uma coisa, contudo, é inegável. Ele não deixará isso escapar diante de seus olhos – seu coração nunca permitira isso. Estamos diante de um fenômeno que nos encanta e nos relembra que o esporte pode nos fornecer histórias que vão além da parte tática e que a superação só é capaz de surgir quando estamos no porão do fundo do poço.
Baker é mais do que um exemplo de sucesso tardio. É um exemplo de recomeço.
Para saber mais:
Paciente da Semana #6: New England Patriots
O bom início de Aaron Rodgers nos Steelers não é por acaso
EP 7, temp 2025: O que de melhor aconteceu na semana 6 da NFL
5 lições: O caos toma conta da NFL
Quer ter todo conteúdo do ProFootball rapidinho em seu celular ou computador sem perder tempo?
Acesse nossos grupos no WhatsApp ou no Telegram e receba tudo assim que for para o ar.







