Efeito Chip Kelly: Poucos treinadores do College cotados para a NFL em 2018

[dropcap size=big]V[/dropcap]árias equipes estão sem treinador para a temporada 2018. Sem contar o Oakland Raiders, que muito provavelmente deve assinar com Jon Gruden, temos o New York Giants, o Chicago Bears, o Arizona Cardinals, o Detroit Lions e o Indianapolis Colts com vacâncias na posição de head coach.

Em nenhuma delas, porém, temos um candidato sério vindo do College Football. Em outros anos, o nome de David Shaw – treinador de Stanford, que opera um sistema pro offense no ataque e é celeiro de linha ofensiva – sempre aparecia. Neste, nem ele. Tudo bem: Stanford não foi sequer campeã de sua conferência, mas mesmo assim a NFL costumava olhar com bons olhos para aqueles que vinham do college football. Até Chip Kelly.


“RODAPE"

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[dropcap size=big]N[/dropcap]o college, o ataque de Oregon foi um dos precursores da grande moda que virou a spread offense com up tempo e suas derivadas – isso tudo na década passada. Em português mais claro, recebedores espalhados, leituras simples e após a jogada bem-sucedida, o ataque indo rápido para a linha de scrimmage com foco na próxima jogada. Sem huddle, a comissão técnica passa a jogada para o quarterback por meio de sinais ou de placas com figuras.

A defesa acaba tendo muitas rotas para defender e pouco tempo para se preparar. No universo universitário, com mais de 100 equipes e talento pulverizado – somado a isso o menor tempo para treino das defesa e menos atleticismo se comparado à NFL – temos a receita para um grande sucesso.

Chip Kelly foi um meteoro da paixão que passou pela NFL. E deixou marcas profundas nos donos de franquia

Kelly chegou ao Philadelphia Eagles com a missão de revitalizar o time após uma temporada aquém sob a batuta de Andy Reid. Começou com força e, aos poucos, tudo foi minguando. Para completar, Chip se livrou de peças importantes do elenco – LeSean McCoy e DeSean Jackson, notoriamente. Não bastasse isso, Kelly tinha uma tara absurda por draftar jogadores da Pac-12, conferência de Oregon no college. A impressão que se passava é que ele só escolhia jogadores que conhecia e contra quem jogou.

Pois bem, um desastre e um ano bizonho no San Francisco 49ers depois – ainda me pergunto o que Jed York tinha cabeça com esse combo Jim Tomsula-Chip Kelly – o ex-mestre da spread offense foi defenestrado da NFL e voltou para sua querida Pac-12. Será o treinador de UCLA na próxima temporada.



O grande erro de Kelly foi tratar a NFL como college. São bichos diferentes. Esquema, por si, não vence jogo na NFL – talento é necessário. Com as defesas adversárias manjando o esquema de Chip ao longo do tempo, um festival de punts de seu ataque e a defesa dos Eagles/49ers ficava tempo de mais em campo. Sem pontos do ataque e com a defesa cansada, uma receita perfeita. Para derrotas.

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[dropcap size=big]M[/dropcap]eses depois, estamos ante um momento no qual todas as besteiras que Chip Kelly fez na NFL parecem ainda repercutir. São seis vacâncias para a posição de head coach e em nenhuma delas um treinador do College está seriamente considerado.

Os dois nomes que aparecem com frequência, David Shaw e Jim Harbaugh, têm menos força em 2018 por conta da ligação destes com suas atuais equipes e também por conta de temporadas mais fracas de Stanford e Michigan, respectivamente. Harbaugh, vale lembrar, foi quarterback em Michigan e claramente está no emprego dos sonhos. Sequer ganhou de Ohio State ainda, e enquanto não o fizer (ou enquanto não for campeão nacional) dificilmente olhará para a NFL.

Por conta do trabalho no San Francisco 49ers, Jim Harbaugh sempre é lembrado nesta época do ano – mas dificilmente sai de Michigan antes de conseguir títulos por lá

Outros dois nomes aparecem de maneira mais discreta: Kyle Whittingham (Utah) e Brian Kelly (Notre Dame). O primeiro aparece muito por conta do absurdo aproveitamento em bowl season: 11 vitórias e uma derrota. Isso demonstra comando do elenco, capacidade de motivar e de preparar um time para uma partida que muitas vezes não vale tanta coisa.

Brian Kelly (sem ligação com Chip) aparece por conta das linhas ofensivas que Notre Dame vem produzindo. Não tenho dúvidas disso. Só neste ano, são dois prospectos fortíssimos: o tackle Mike McGlinchey e o excelente guard Quenton Nelson. Numa NFL que vê cada vez mais os jogadores de linha chegando crus, capacidade de desenvolver atletas de linha é algo bem-visto.

De toda forma, os quatro nomes acima corem por fora. Outros nomes badalados, como Nick Saban (Alabama) e Urban Meyer (Ohio State) sequer são cogitados por conta das campanhas e contratos deles em suas respectivas universidades: vão muito bem, obrigado.




Fato é que uma conjuntura de fatores levou a NFL considerar mais os assistentes já em cargo do que os magos do College Football. E como você vê, mesmo os poucos técnicos do college cogitados para a NFL (e cogitados naquelas) são treinadores conservadores. Stanford, Michigan e Notre Dame usam mais corrida do que qualquer outra coisa no mundo. Longe de usarem pirotecnias como Chip. As três, aliás, colocam full back em campo em dadas jogadas – algo mais raro que ursos pandas, em se tratando de college. Ou seja: mesmo os que vem do college… Não são BEEEEM aquilo que se espera em termos de novidade vinda do nível universitário.

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Chip Kelly foi um meteoro da paixão que passou pela NFL. E deixou marcas profundas nos donos de franquia. Antes deles considerarem um gênio ofensivo como ele, vão pensar duas vezes – e a nova moda é apostar nos novos Sean McVays; Estes já estão na NFL.

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