A prova de que o futebol americano é um dos esportes mais estratégicos que existe é quando seus conceitos táticos são utilizados pelo seu irmão mais velho, o futebol. Ambos tem a mesma origem, um campo de grama e a busca de invadir o território adversário – seja pelo gol ou pelo touchdown. E, aos poucos, mesmo os profissionais que trabalham com a bola redonda vão se rendendo aos conceitos táticos avançados do “parente” americano.
Exemplo notório é o técnico do Uberlândia, equipe que disputa o Campeonato Mineiro de futebol. Antes que você torça o nariz, vale ressaltar o que o time está fazendo neste ano: já chegou a liderar o Mineiro e é uma das equipes sensação do campeonato, estando em quarto lugar no momento da publicação desta matéria – portanto, garantindo vaga para as semifinais do certame.
“O futebol americano é um jogo interessante, pois é estritamente tático. E esse é um componente que, às vezes, perdemos um pouco no nosso futebol. O futebol é um jogo coletivo, tático, de estratégia, de articulações, de combinações e posicionamento”. disse Alexandre Barroso ao repórter do GloboEsporte.com.
Barroso não despencou do nada no Uberlândia. A equipe vem apostando cada vez mais nos conceitos de ciência do futebol. Para a montagem do elenco, um processo semelhante ao “Moneyball” do Oakland Athletics (MLB) foi empregado: 300 jogadores passaram pelo crivo de uma análise de dados e de desempenho técnico. Alexandre foi um dos 16 treinadores avaliados minuciosamente pelo clube até que fosse o escolhido. “Não tem outra saída para o futebol. (…) Tem que ser profissional, com um especialista em cada função. É a solução do futebol brasileiro. Não adianta colocar indicados na diretoria, empresários colocando jogadores. Enquanto tiver isso, vamos continuar levando 7 a 1”, disse o técnico.
Fã dos 49ers e de Tony Dungy, Barros adapta para o futebol conceitos como o de blitz
Em uma das passagens do Manual do Futebol Americano, escrevi que o futebol lembra muito um ataque de cavalaria e o futebol americano estaria mais próximo a um ataque aéreo estratégico. O técnico do Uberlândia de certa forma concorda com isso – mas visa quebrar esse paradigma. “Aqui no Brasil achamos que é mais uma coisa lúdica. O que saliento é que o futebol americano tem algumas coisas que nós perdemos, como, por exemplo, a necessidade de organização defensiva, especificidade de jogadores em cada posição, atribuição de funções e o individual em função do coletivo”, salientou à reportagem do GloboEsporte.com.
A blitz – ato de pressionar o quarterback adversário com mais homens do que o comum – se tornou “briefing” no sistema de Alexandre. Seus jogadores tentam ler as deixas do adversário e partem para cima dele para roubar a bola. “Você escolhe alguns jogadores, por diversos motivos, e quando eles dão determinados sinais para você, aí você faz a blitz, no caso, o briefing. Esses sinais são movimentos, posturas, posicionamento, trajetória da bola, que você condiciona seu jogador a se movimentar com mais dois ou três para fazer esse briefing”, explicou.
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Um dos maiores ídolos de Barroso é o treinador Tony Dungy, que teve passagem pelo Tampa Bay Buccaneers e foi campeão do Super Bowl XLI com o Indianapolis Colts. O conceito de gatilhos mentais – se algo acontece, faça isto – foi bastante utilizado por Dungy quando era técnico. Aqui no Brasil, no futebol, está sendo adaptado pelo técnico do Uberlândia.
Embora o Uberlândia esteja dando alegrias ao seu treinador, o mesmo não pode ser dito de seu time na NFL. Alexandre torce para o San Francisco 49ers, equipe que passou por bons momentos no início da década mas que passa por reestruturação. “Eu já assisti a jogos lá, é bem interessante. Eu gosto de ver os quarterbacks mais experientes, e meu time, o San Francisco 49ers, ultimamente anda muito mal. Mas já teve épocas boas, com o Joe Montana e Steve Young”, finalizou.





