[dropcap size=big]E[/dropcap]quilíbrio era a previsão da maioria dos analistas antes do jogo entre Denver Broncos e Seattle Seahawks, e foi exatamente isso que aconteceu nesta tarde de domingo no Colorado: três trocas de liderança, turnovers de ambas as partes e um jogo indefinido até os minutos finais. No fim, pesou a pressão do pass rush dos Broncos que, somada a falta de qualidade da linha ofensiva dos Seahawks, foram fatores decisivos.
Em estreia, Case Keenum é inconsistente e quase coloca tudo a perder
Contratado após uma excelente temporada pelos Vikings, chegando a final da NFC, Case Keenum recebeu a oportunidade de se firmar como um titular em Denver – John Elway lhe deu um contrato de dois anos e 25 milhões de dólares. Mas, na estreia, Keenum não justificou o investimento: foram três touchdowns lançados, mas também três interceptações que quase levaram o time a derrota.
Logo no início, Keenum lançou uma bola interceptada por Earl Thomas em que o tight end Jake Butt corria uma rota seam e ele identificando erroneamente a cobertura lançou numa post – logo em seguida, os Seahawks abriram o placar. Uma interceptação no ataque no final do primeiro tempo – que poderia fazer o time ir com duas posses de vantagem para o intervalo – e outra logo após o time forçar um fumble mostram que Keenum precisa evoluir para que o time não sofra tanto. Nem sempre será possível dar a volta por cima e na NFL não se costuma ter tantas chances num jogo. O detalhe é que o quarterback foi bem protegido num geral: só sofreu um sack, cedido por Matt Paradis para o defensive tackle Frank Clark numa terceira descida em que o trabalho da cobertura funcionou muito bem. Então, às três interceptações entram na conta de Keenum, sem desculpas.
Olhando pelo lado cheio do copo, ocorreram três touchdowns e uma produção ofensiva diversificada como os torcedores dos Broncos não viam a bastante tempo. Foram nove alvos diferentes e excelente aproveitamento em passes curtos, com muitos conceitos abusando de slants e rotas em levels (duas rotas iguais, em diferentes alturas do campo), forçando os safeties a tomarem decisões e não terem tempo para fazer leituras. O touchdown de Emmanuel Sanders aconteceu exatamente assim: Duas rotas slants, com Earl Thomas indo cobrir a da frente. Sanders bateu seu marcador e correu 43 jardas até a end zone. Isso deve ser uma tônica nos próximos jogos, ainda mais depois dos problemas de Keenum hoje em profundidade.
O duo de running backs novatos correspondeu bem, conseguindo combinadas 142 jardas em 30 corridas – média de 4,73 jardas por tentativa. Royce Freeman foi bem conseguindo jardas pós-contato e Phillip Lindsay ainda recebeu um passe para touchdown. A linha ofensiva num geral também foi bem, cedendo apenas um sack e conseguindo abrir espaços, dando a possibilidade de Bill Musgrave utilizar o playbook de forma mais eficiente que no ano passado.
Do lado defensivo dos Seahawks, amplo destaque para os safeties. Apesar de ter falhado no touchdown de Sanders, Earl Thomas conseguiu uma interceptação logo no começo do jogo e desviou um passe que por muito pouco não virou outra – nada mal para quem voltou a treinar apenas na quinta-feira: Thomas é um jogador diferenciado e a pré-temporada lhe fez pouca falta. Seu colega de função Bradley McDougald também teve uma tarde inspirada: Foram duas interceptações e mais dois passes desviados, além de cinco tackles, com destaque para sua cobertura nos tight ends de Denver.
Shaquem Griffin e Bobby Wagner também foram bem, embora tenham sido muito expostos a avanços ao segundo nível da linha ofensiva dos Broncos. Além disso, Griffin foi queimado no primeiro touchdown dos Broncos, não cobrindo Phillip Lindsay. Fica a clara impressão que a linha defensiva precisa melhorar, especialmente nas laterais: a pressão foi frágil e os Broncos puderam soltar os running backs constantemente no jogo de passe, pois não havia necessidade de proteção extra.
Wilson continua mágico, mas sobreviver a Von Miller é impossível
Verdade seja dita: Russell Wilson deve exigir adicional de insalubridade dos Seahawks. É muito nocivo a saúde trabalhar atrás desta linha ofensiva!
Ainda assim, Wilson tira seus coelhos da cartola, mesmo sem ajuda. O jogo corrido foi praticamente nulo: com a exceção de uma corrida de Chris Carson para 24 jardas, foram apenas 40 jardas em 15 tentativas. No jogo de passe, cada dropback era de tensão absoluta: Em 40 vezes em que o time foi tentar o passe, Wilson foi sackado em 6 delas e sofreu contato em outras 11. Além disso, houveram diversos outros momentos em que ele se livrou da pressão e esticou a jogada, conseguindo conexões.
Brandon Marshall e Tyler Lockett conseguiram algumas boas jogadas e ambos saíram com um touchdown da partida. O destaque ofensivo ficou por conta do tight end Will Dissly: foram três recepções em cinco passes na sua direção, com 105 jardas e um touchdown. Olho no calouro.
A realidade é que a linha ofensiva dos Seahawks é muito fraca. O miolo pouco produz no jogo corrido e as laterais sofrem constantemente, cedendo pressão. O pocket vive colapsado e Germain Ifedi não tem condições de ser colocado frente a frente contra os melhores pass rushers da liga. Mesmo com tudo isso, Wilson ainda manteve o time competitivo e o levou a 24 pontos fora de casa: se você não coloca Wilson entre os melhores quarterbacks da liga, acredito que seja hora de repensar seus conceitos; os Broncos por sua vez, precisam se preocupar justo com a cobertura aos tight ends. Problema recorrente nos dois últimos anos, não parece ter sido corrigido e com certeza será alvo das demais equipes se continuar falho.
A secundária também mostrou alguns erros, com Bradley Roby e Chris Harris Jr. sendo batidos nos touchdowns de Brandon Marshall e Tyler Lockett, respectivamente. Contudo, limitaram Russell Wilson em profundidade inúmeras vezes e derem ainda mais tempo ao pass rush. Justin Simmons conseguiu uma bela interceptação e Darian Stewart foi bem jogando mais próximo ao box.
O miolo da linha defensiva fez um excelente trabalho parando o jogo corrido e colapsando o pocket, facilitando o trabalho nas laterais do pass rush. E que pass rush! Foram 11 hits e 6 sacks em Wilson. Shaquill Barrett e Bradley Chubb conseguiram um sack cada um, mas o destaque absoluto ficou por conta de Von Miller. O camisa 58 dos Broncos simplesmente dominou a scrimmage: foram três sacks, quatros hits e três tackles para perda de jardas. Não bastasse isso tudo, Miller forçou um fumble roubando a bola da mão de Chris Carson numa corrida, numa performance digna de quem é sempre cogitado nos palpites de jogador defensivo do ano.
Os times de especialistas também acabaram pesando. Se tanto Marquette King quanto Michael Dickson tiveram ótimas performances , com constantes punts de mais de 50 jardas, os kickers tiveram desempenhos desiguais. Brandon McManus acertou seus dois field goals para mais de 50 jardas; já pelos Seahawks, o veterano Sebastian Janikowski converteu um chute de 35 jardas, mas errou de 51. O problema é que os Broncos cometeram um offside e isso deu a chance de ele tentar de novo, agora de 46…aonde ele errou de novo! No fim, os três pontos foram a diferença e o Denver Broncos venceu o Seattle Seahwaks pelo placar de 27 a 24.
Os Seahawks enfrentam agora na próxima segunda os Bears em Chicago, enquanto os Broncos recebem no domingo os Raiders no primeiro duelo dentro da divisão do ano.
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