Poucas franquias são tão complexas de se entender quanto o Pittsburgh Steelers. Quando a gente acha que a fórmula copeira de Mike Tomlin vai dar errado, a temporada regular da NFL nos mostra justamente o contrário. A AFC North virou de ponta-cabeça e o único time com campanha positiva na divisão é… O Pittsburgh Steelers!
Ok, o calendário até agora faz com que muitas pessoas torçam o nariz. Afinal de contas, o único time de melhor nível que Pittsburgh enfrentou foi o Seattle Seahawks – e eles perderam. No entanto, não importa se a vitória é feia ou bonita no final do dia. O importante é vencer e os Steelers estão capitalizando em cima disso. Parte desse boleto entra na conta de um jogador que, até então, ninguém levava muita fé: Aaron Rodgers.
Isso quer dizer que ele está jogando no nível de MVP? Não e já adianto que essa versão nunca mais voltará. Porém, Rodgers está sendo um bom gerenciador desse ataque. E isso é tudo que Pittsburgh precisa para seguir vencendo.
Essa panela velha ainda faz um bom arroz
Resumir Aaron Rodgers e sua trajetória na NFL é algo extremamente difícil. Não apenas pelo fator extracampo (e ele ser um maluco de pedra) ou pelo fato dele ser um dos quarterbacks mais talentosos da história. Mas também se torna difícil resumi-lo porque até na parte final de sua carreira, a narrativa ganha outros contornos com ele.
Quando foi para Pittsburgh no começo deste ano, ninguém esperava que ele fosse render algo. A sua passagem curta e trágica (eufemismo) pelos Jets deixou uma impressão de que, possivelmente, o jogo já havia passado por ele. O que não seria novidade: quantos quarterbacks incríveis da NFL tiveram finais de carreira quase melancólicos? Exemplos não faltam e, ao que parecia até setembro, Aaron Rodgers seria mais um desta lista.
Bem, até a semana 1 começar e mostrar o oposto.
É claro que a idade pesa bastante na balança. A-Rod já tem 42 anos e não tem mais a força no braço de outrora.Até a semana 5, a bola dele viajava média de 4,7 jardas por tentativa: a menor marca da liga. No último jogo contra os Browns, essa média aumentou: foi para 7,4 jardas por tentativa, de acordo com a TruMedia. Ainda assim, muito galgado na conexão dele com DK Metcalf – aliás, parece que os dois jogam juntos desde sempre, tamanha a sintonia.
Que o braço não é mais o mesmo e estender as jogadas fica mais difícil a cada dia, isso todo mundo e o próprio Rodgers sabem. Quanto mais tempo a jogada durar, mais problemas ele terá dentro do pocket. É aqui também que é preciso dar méritos ao esquema montado por Arthur Smith, especialmente em colocar pacotes mais pesados. A linha ofensiva não é lá grande coisa, portanto reforçar a proteção com mais um tight end, por exemplo, ajuda a dar mais tempo no pocket para um QB que já não é mais tão ágil.
Não à toa que Pittsburgh tem centenas de tight ends em campo todo jogo. Darnell Washington, Pat Freiermuth, Jonnu Smith, Connor Heyward (ou Spencer Anderson, guard que às vezes alinha de TE): todo mundo é capaz de não só virar um offensive tackle bônus, como também de receber passes curtos e produzir jardas após a recepção. Isso também ajuda o jogo terrestre: com mais gente abrindo espaços na defesa adversária, mais liberdade para os running backs correrem. Vide os bons números de Jaylen Warren e companhia quando o time joga em pacotes mais pesados. Por fim, esse conjunto todo alivia o trabalho do quarterback, que fica com o pocket limpo e seguro para poder lançar a bola rápido.
Os tempos áureos de Aaron Rodgers podem estar no passado, embora um passe lindo ou outro em profundidade surja por aí. Mas não se engane: essa panela velha – e bitolada das ideias – ainda consegue fazer um arroz bem temperadinho.
Até onde isso vai dar?
O Pittsburgh Steelers vive a mesma história há quase uma década. São anos fazendo viagens de bate-volta nos playoffs: isso quando chega lá, vamos combinar. É o mesmo roteiro toda temporada e, a cada ano que passa, o time vira a personificação de um Defensa y Justicia, uma LDU ou Estudiantes que chega no mata-mata da Libertadores só ganhando feio de 1×0 – ou empatando em 0x0.
Todavia, 2025 é um ano onde o roteirista da NFL caprichou na dose de imprevisibilidade. Estamos na semana 7 e ninguém despontou como franco favorito ainda. Pelo contrário: os times outrora favoritos estão/começaram derrapando ou já se desmancharam em lesões – vide os dois arquirrivais de divisão, Baltimore e Cincinnati.
Em uma Conferência Americana sem um franco favorito, pode ser que Pittsburgh consiga sonhar com voos mais altos na pós-temporada. A AFC North já é quase realidade: a esta altura do campeonato, é difícil ver alguém dando a volta por cima e ameaçando os Steelers pela divisão. A dúvida maior fica quando enfrentar equipes melhores, até porque quando isso aconteceu, o ataque freou e o time perdeu.
A prova de fogo está logo na frente. Depois do Thursday Night vintage contra Joe Flacco e os Bengals, eles pegam Packers, Colts e Chargers em sequência. É óbvio que o jogo contra Green Bay terá temperos especiais: por ser um Sunday Night Football e também porque Aaron Rodgers adora uma Lei do Ex. Contudo, o confronto contra Indianapolis pode dar o veredito sobre esse Pittsburgh Steelers. Se eles serão algo a mais do que um time argentino copeiro na Libertadores, isso só o tempo dirá.
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