Recentemente, explicamos a melhor maneira de avaliar um contrato da NFL e analisamos os 10 piores contratos dados a free agents na história da liga. Hoje, voltaremos a abordar o tema, com uma análise dos 5 piores contratos atualmente em vigor na NFL. Para isso, escolhemos assumir o ponto de vista das equipes, e não do jogador. Desta forma, se um jogador tem um contrato vultuoso mas não tem correspondido em campo, consideramos seu contrato ruim – mas com toda certeza ele discordaria desta afirmação.
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É claro que más performances em campo não são o único fator envolvido ao considerarmos um contrato ruim. Lesões, problemas extra campo e um grande cap hit – impacto no teto salarial, que impede que a equipe contrate outros jogadores – também são levados em conta. Mas o principal é o chamado dead money – a quantidade de dinheiro que o time deve pagar ao jogador caso ele seja dispensado. Quando um contrato possui muito dinheiro comprometido em anos futuros, seja com salários garantidos ou bônus de assinatura parcelado por toda sua duração, o time pode se ver “preso” a um jogador, incapaz de rescindir seu contrato.
Na lista abaixo veremos exemplos dos mais diversos motivos pelos quais um contrato pode ser ruim para uma franquia, e vamos começar pelo caso mais atípico: o de um jogador que jogou bem.
Ndamukong Suh, defensive tackle do Miami Dolphins
Detalhes do contrato: 6 anos de duração, com valor total de US$114.375.000,00, sendo US$59.995.000,00 totalmente garantidos no momento da assinatura.
É estranho colocar um dos melhores defensores da NFL na lista dos piores contratos. Ainda mais um que teve uma das melhores temporadas de sua carreira no primeiro ano de tal contrato. Ndamukong Suh excelente em sua temporada de estréia em Miami, mudando a cara da defesa dos Dolphins, mas a narrativa de seu contrato gigantesco acabou suprimindo a narrativa de sua ótima performance em campo. E é provável que isso o acompanhe pelo resto de sua estadia em Miami.
A quantidade de dinheiro oferecida pela diretoria dos Dolphins a Suh é digna do melhor jogador de linha defensiva da NFL, e ainda que Ndamukong seja um dos melhores, o topo do ranking pertence claramente a J.J. Watt – que tem uma média salarial anual 2,5 milhões de dólares inferior à de Suh. A menos que o jogador eleve seu jogo ao nível do futuro hall of famer dos Texans, sempre restará a impressão de que Miami pagou mais caro do que deveria.
Além disso, na tentativa de manter baixo seu impacto no salary cap em 2015, os Dolphins estruturaram seu contrato de maneira a dividir um grande bônus de assinatura durante toda sua duração. Com isso, o impacto nos anos seguintes ficou consideravelmente maior. Veja: o aspecto estrutural do contrato acaba fazendo com que ele seja pior do que o reflexo dentro de campo.
Tanto é que, já em seu segundo ano, o contrato precisou ser reestruturado para reduzir o enorme impacto que teria esse ano. O problema disto é que agora os Dolphins estão impossibilitados de cortar o jogador antes de 2018 sem criar um rombo insustentável em seu teto salarial. À primeira vista isto não é um grande problema, já que em 2018 Suh terá apenas 31 anos, e provavelmente ainda estará jogando em alto nível. Mas a coisa muda de figura quando analisamos o impacto que seu contrato terá no salary cap em 2017. Na próxima temporada, Suh contará em $19.100.000,00 contra o limite, um valor quase igual ao da franchise tag de quarterbacks em 2016. Por sorte, Miami deverá ter o espaço necessário em seu salary cap para acomodar esse massivo salário, já que não terá nenhum free agent que demandará um grande contrato na próxima offseason. Em 2018, no entanto, o impacto de Suh será de mais de 26 milhões, e Miami terá uma difícil decisão a tomar (muito por conta da idade do jogador, também).
Charles Clay, tight end do Buffalo Bills
Detalhes do contrato: 5 anos de duração, com valor total de $38.000.000,00, sendo $24.500.000,00 garantidos.
O caso do tight end dos Bills é bem mais simples que o anterior. Na offseason de 2015, buscando roubar o jogador do rival de divisão Miami Dolhpins, o Buffalo Bills ofereceu a Charles Clay um contrato que o tornou – à epoca – o quarto jogador mais bem pago da posição em termos de média salarial anual, e o detentor da maior quantidade de dinheiro garantido entre tight ends.
O problema é que Clay nunca esteve – e provavelmente nunca estará – entre os cinco melhores tight ends da NFL. Sua melhor temporada até o momento foi em 2013, quando o jogador alcançou a marca de 759 jardas e 6 touchdowns. Como base de comparação, Greg Olsen, que assinou seu mais recente contrato – inferior ao de Clay – com os Panthers também na offseason de 2015, superou essas marcas em cada uma de suas temporadas, desde 2012. O contrato de Charles Clay, no entanto, não chega a ser desastroso. O Buffalo Bills pode cortar seus laços com o jogador sem prejuízos em 2018, mas é provável que seu contrato dure até o final, em 2019, já que seu impacto no limite salarial não passa de 9 milhões por temporada a partir do ano que vem (o chamado contrato front loaded).
Jairus Byrd, safety do New Orleans Saints
Detalhes do contrato: 6 anos de duração, com valor total de $54.000.000,00, sendo $18.300.000,00 totalmente garantidos.
Na intertemporada de 2014, uma chama de esperança se acendeu no coração do torcedor dos Saints: seu time havia feito um movimento determinante para resolver seus problemas defensivos, trazendo Jairus Byrd, que muitos consideravam o melhor safety da NFL. E ele foi pago como tal. Seu contrato redefiniu os padrões para a posição e contribuiu para transformar a situação financeira de New Orleans em um atoleiro, do qual o time só agora começa a se livrar.
Isto poderia ser relevado se Byrd tivesse correspondido às expectativas em campo, mas uma série de lesões impediu que o safety obtivesse qualquer tipo de ritmo de jogo. Em seus dois anos em New Orleans, ele participou de apenas 17 jogos, de 32 possíveis, e quando esteve em campo não impressionou. O site Pro Football Focus o ranqueou na 42ª posição entre os jogadores de sua posição de acordo com o desempenho em 2015.
No entanto, ainda existe uma luz no fim do túnel para Byrd: devido à sua situação salarial, é pouco provável que o New Orleans Saints dispense o jogador antes de 2018. Portanto, Jairus Byrd ainda tem mais duas temporadas, pelo menos, para tentar recuperar sua forma dos tempos de Buffalo Bills e justificar o investimento feito pelos Saints. Mas, dado o estado da defesa de New Orleans, esta será uma tarefa bem difícil.
Brandon Carr, cornerback do Dallas Cowboys
Detalhes do contrato: 5 anos de duração, com valor total de $50.000.000,00, sendo $25.500.000,00 totalmente garantidos.
Um detalhe salta aos olhos ao analisarmos o contrato de Brandon Carr: ele foi assinado em 2012, o mais antigo dentre os contratos citados neste texto. À época, a quantia foi tão absurda por um jogador do nível de Carr, que até mesmo o dono/general manager Jerry Jones admitiu ter pagado acima do valor pelo cornerback. Isso fica ainda mais evidente quando vemos que hoje, 4 anos após sua assinatura, o contrato de Carr ainda é o nono maior da posição em valor total.
Os Cowboys, desesperados por uma solução para sua secundária, esperavam que o jogador de 26 anos evoluísse, se tornando um dos melhores da posição. Isto, porém, não chegou nem perto de acontecer. Para encurtar a história, basta dizer que a última interceptação de Carr aconteceu em 2013, há 36 jogos, e o site Pro Football Focus o classificou como o 73º melhor cornerback da temporada passada. É o suficiente, não é?
Em março deste ano, Carr aceitou uma redução salarial de $3.850.000,00 para poder cumprir o último ano de seu contrato em Dallas. Mas a chance dele conseguir um novo contrato com os Cowboys (ou qualquer outro time) é muito pequena.
Joe Flacco, quarterback do Baltimore Ravens
Detalhes do contrato: 3 anos de duração, com valor total de $66.400.000,00, sendo $44.000.000,00 garantidos.
Para entendermos o contrato assinado por Joe Flacco este ano, precisamos revisitar o contrato que o antecedeu e forçou o Baltimore Ravens a aceitar o que é o pior contrato de toda a NFL. O ano era 2013, e os Ravens haviam acabado de vencer o Super Bowl, graças às atuações impecáveis de Joe Flacco durante os playoffs. Flacco, que vinha da melhor sequencia de partidas de sua carreira se tornaria um free agent naquela offseason e Baltimore não poderia correr o risco de deixá-lo cair nas mãos de um rival. A franchise tag, que poderia dar aos Ravens a chance de avaliá-lo por mais um ano, não era uma opção, já que o time se encontrava no limite do salary cap, portanto toda a vantagem da negociação e poder de barganha estavam do lado do jogador e de seu agente. Foi uma situação sui generis que detonou o poder de Baltimore na negociação: último ano de contrato, não poder usar a tag…
Flacco e seu agente conseguiram extrair disso o maior contrato da história da NFL até aquele ponto. Ele foi estruturado de forma a ter pouco impacto no salary cap em seus primeiros dois anos, mas este impacto subiria de forma abrupta nos anos seguintes. E isto nos leva ao contrato assinado recentemente.
Não parece estranho que Flacco tenha recebido uma extensão contratual vindo de uma séria lesão no joelho e de uma temporada abaixo da média? Pois é, o motivo disto é que o contrato de 2013 fez com que o impacto do salário de Flacco no salary cap em 2016 fosse de faraônicos $28.550.000,00. Este valor engessaria as opções do general manager Ozzie Newsome no período de free agency e deixaria Baltimore acima do limite permitido às franquias. Novamente, Flacco e seus empresário se viram com todas as fichas na mão. O resultado disto foi uma extensão de mais 3 anos em seu contrato e a maior quantidade de dinheiro já dada como bônus de assinatura a um jogador: impressionantes 40 milhões de dólares.
Nós já sabemos que para muitos, Joe Flacco não é elite. O problema é que ele está sendo pago como se fosse um dos três melhores quarterbacks da liga e, por mais que você goste dele, ele não está acima de Brady/Rodgers/Brees. Sua média anual de salário foi superada recentemente por Andrew Luck, mas Flacco ainda é o segundo em toda a NFL neste quesito. Isto o coloca no mesmo patamar salarial de Aaron Rodgers e alguns milhões anuais acima de Tom Brady e Drew Brees. É impressionante o que uma fortuita confluência de fatores pode fazer por um jogador, não é mesmo?
Menções honrosas que não colocamos mas seriam bastante merecidas: Daryl Washington, Torrey Smith, Julius Thomas.







