Os Buccaneers são uma ameaça na NFC South?

Poucas franquias viveram recentemente dias tão ruins quanto os Buccaneers. A equipe da Flórida, que teve seu auge no início dos anos 2000 com a conquista do Super Bowl XXXVII em 2002, mergulhou em um poço de fracasso e instabilidade nas últimas temporadas – um buraco bem fundo e difícil de sair. De 2011 para cá, Tampa Bay sempre amargou a lanterna da NFC South e nunca conseguiu um record positivo – o melhor desempenho aconteceu em 2012, quando terminou com sete vitórias e nove derrotas. Neste período de tempo, o time somou um pífio record de 23-57 e foi comandado por quatro head coachs diferentes (já contando o atual treinador Dirk Koetter).

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Mas, apesar de tudo isso, hoje existem motivos para os torcedores ficarem otimistas e enfim acreditarem que as coisas estão caminhando na direção correta. Alguns bons Drafts encheram Tampa Bay com jovens talentos defensivos e ofensivos, incluindo um possível franchise quarterback – ponto para o general manager Jason Licht. Além disso, os free agents assinados em 2016 prometem reforçar os setores carentes da equipe, sobretudo na defesa. Na verdade, o próprio ano de 2015 foi promissor, embora tenha acabado de maneira frustrante. Os Buccaneers sonharam com os Playoffs durante boa parte da temporada, até acumularem quatro derrotas consecutivas em dezembro.

Algumas pessoas estão encarando a franquia como uma possível “cinderela” desta temporada, capaz de brigar por uma vaga nos Playoffs ou quem sabe até surpreendendo e disputando seriamente o título de divisão. Confira porque elas estão certas em acreditar no potencial desse time para 2016.

Um ataque jovem, talentoso e que tende a evoluir

Obviamente temos que começar aqui falando sobre Jameis Winston. Após se meter em vários problemas durante a carreira universitária – algo que despertou muitas dúvidas sobre a sua maturidade – o quarterback teve uma ótima temporada de estreia na NFL, sobretudo por ter ficado longe de confusões e polêmicas. Dentro de campo, sua performance de 4.042 jardas aéreas, 22 touchdowns lançados e seis corridos impressionou, quebrou recordes da equipe e lhe rendeu o prêmio de melhor calouro do ano.


O mais importante de tudo é Winston ter mostrado indícios de que pode ser o franchise quarterback há tanto tempo buscado por Tampa Bay. A evolução do jovem em seu segundo ano como profissional será a chave para o time dar um passo à frente. A própria promoção do ex-coordenador ofensivo Dirk Koetter ao cargo de head coach tem a ver com isso, pois é esperado que mais poder ao treinador ajude no processo – ele e Jameis desenvolveram uma boa sintonia em 2015.

Complementando Winston, existem dois alvos chegados via Draft de 2014. O primeiro deles é Mike Evans. O wide receiver teve alguns problemas de consistência na temporada passada e somou apenas três touchdowns, porém novamente superou a barreira das 1.000 jardas aéreas (1.206). Evans é o recebedor número 1 do time e provavelmente será por bastante tempo. Além dele, podemos citar o tight end Austin Seferian-Jenkins. O jovem de 23 anos já perdeu muitas partidas por conta de lesões, contudo, se conseguir ficar saudável e focado, a expectativa é que ele possa contribuir bem com o ataque – de preferência sem ser expulso de treinos por “não saber o que estava fazendo”. Some também Vincent Jackson voltando de lesão e os Buccaneers terão no papel um grupo de recebedores titulares bem interessante.

A juventude igualmente encontra-se presente na linha ofensiva, que, mesmo sem ser ótima, foi competente em 2015. Os calouros Donovan Smith e Ali Marpet tiveram desempenhos animadores: Smith oscilou um pouco atuando na posição de left tackle (algo natural), enquanto que Marpet foi eleito pelo site Pro Football Focus o 12º melhor guard bloqueando para corridas. Por fim, não podemos nos esquecer de Doug Martin. O running back viveu uma das melhores temporadas da sua carreira e em janeiro completou 27 anos, logo ainda tem muito mais lenha para queimar na NFL.

Uma defesa subestimada e que se reforçou bem na intertemporada

Pensando exclusivamente em estatísticas, a defesa de Tampa Bay não tem nada de especial – 10ª melhor em média de jardas totais cedidas (340.4), mas a 7ª pior em pontos por jogo (417).


Entretanto, avaliando em termos de talento, a coisa muda um pouco de figura. Não são todas as equipes que possuem dois jogadores tão qualificados como Gerald McCoy e Lavonte David. O primeiro é um dos defensive tackles mais dominantes da liga. Já o segundo é um linebacker extremamente prolífico (577 tackles em quatro anos de carreira) e subestimado.

Claro que sozinhos ambos não são capazes de fazer tudo, então nesta intertemporada os Buccaneers tentaram cercar suas duas maiores estrelas defensivas com um bom elenco de apoio. A problemática secundária foi reforçada com o calouro Vernon Hargreaves, o segundo melhor cornerback do Draft, e o veterano Brent Grimes, o qual vem de três bons anos com os Dolphins. O pass rush foi incrementado com as chegadas de Robert Ayers e do calouro Noah Spence – olho em Ayers, um dos melhores pass rushers disponíveis na última Free Agency. Por fim, a franquia trouxe o veterano linebacker Daryl Smith. Com 34 anos de idade, existem dúvidas se Smith ainda tem gasolina no tanque, porém em todo o caso ele pode funcionar como um tipo de “mentor” para o jovem Kwon Alexander.

Encher o elenco de veteranos na Free Agency não costuma ser uma boa estratégia visando o futuro, contudo pode ser uma alternativa razoável para solucionar problemas em curto prazo. Tampa Bay tinha carências no pass rush e na secundária e fez o possível para resolver isso. Agora cabe a Mike Smith, novo coordenador defensivo e ex-treinador principal dos Falcons, a missão de fazer esse promissor grupo render o máximo – coisa que o antigo head coach Lovie Smith não conseguiu.

Sim, os Buccaneers podem surpreender e ameaçar na NFC South

Depois de ler um texto com tantos elogios, você pode ficar com a impressão de que estamos supervalorizando demais o time de Tampa Bay. A ideia aqui obviamente não é essa. A franquia ainda tem seus problemas e está longe de ser uma certeza de sucesso, afinal tudo se define mesmo quando a bola começa a voar. A linha ofensiva não é experiente, Vincent Jackson não é mais nenhum menino, Seferian-Jenkins pode ficar desfocado, a secundária preocupa. O ponto, porém, é que existe perspectiva de melhora e uma chance grande dos Buccaneers deixarem de ser o “saco de pancadas” dos últimos anos. E isso pode começar a acontecer já em 2016.

Embora seja extremamente improvável repetirem o 15-1 de 2015, os Panthers continuam como teóricos favoritos ao título da NFC South. Mas a distância em relação à Tampa Bay diminuiu. Ademais, o abismo recente que separava a equipe da Flórida de Saints e Falcons também sumiu. Diante desses fatos, por que não acreditar que os Buccaneers podem dar trabalho na divisão? Ou pelo menos sonhar com uma vaga nos Playoffs como Wild Card?

Como dissemos antes, tudo depende do desenvolvimento de Jameis Winston e de como Mike Smith arrumará a defesa. O potencial para esse time dar certo existe e não deve ser ignorado.

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