Patriots estendem contrato de Parker e a pergunta é: para quê?

Jogador recebeu dois anos extras em relação ao seu vínculo anterior, num movimento para lá de controverso da franquia liderada por Bill Belichick

Não era bem esse o movimento que o torcedor do New England Patriots esperava: sonhou com DeAndre Hopkins e acordou com DeVante Parker recebendo uma extensão contratual. Agora, o wide receiver tem vínculo com os Patriots até o fim da temporada de 2025 – seu contrato anterior terminaria ao fim deste ano – recebendo uma média salarial de US$ 11 milhões. Do valor total, US$ 14 milhões – aproximadamente 42% – são garantidos. Parker chegou em New England em 2022, numa troca com o Miami Dolphins, e teve pouco mais de 500 jardas recebidas.

A grande questão em torno dessa extensão é: para quê? Por mais que a comissão técnica goste do jogador e acredite que ele se encaixe no sistema de Bill O’Brien, não existia necessidade de correr com qualquer tipo de acordo. Era melhor deixar que ele prove em campo que é realmente uma peça interessante e em especial que pode ficar saudável: em 8 anos na NFL, o recebedor teve apenas uma temporada completa, no já longínquo 2019. Ano passado, foram 6 partidas de fora: com 30 anos, só fé faz crer que seu histórico de lesões pare de crescer.

Não dá mais para falar em potencial

Quando foi selecionado pelo Miami Dolphins, na 14° escolha do Draft de 2015, Parker era um jogador interessante e com bom potencial: grande – mede 1,91 m – e com boa velocidade, era tido como um jogador que precisava de algum refino, mas que poderia explodir. Nunca aconteceu e falar nisso aos 30 anos é como imaginar que o Lulinha exploda agora e vire o jogador que se imaginava na categoria de base do Corinthians. A verdade é que Parker nunca se tornou um jogador mais que sólido.

Fica novamente a questão: para que renovar? Limpar dinheiro na folha para trazer Hopkins não pode ser desculpa, já Parker pesava US$ 6 milhões no cap hit e um corte dele deixaria zero de dead cap. Holdout? Nem pensar, já falamos inúmeros motivos para que isso não tivesse efeito algum. Era só deixar ele em campo normalmente e se a temporada fosse boa – o que para os parâmetros dele, significa jogar 13 jogos e ter 800 jardas -, negociar depois: o mercado não ia cair matando no jogador e mesmo que alguém pagasse, não seria o fim dos tempos.

O mágico de um só truque

Olhando os tapes e os números, fica evidente que Parker perdeu a explosão e mobilidade, sobrevivendo na liga da vantagem física: um terço de suas recepções em 2022 vieram em bolas contestadas[foot]PFF[/foot], aquelas lançadas no alto para que o wide receiver busque no ponto mais alto. O problema é que para além disso, ele consegue pouca coisa, já que lhe falta capacidade de separar. Warren Sharp, analista da Fox americana, trouxe um dado alarmante: nos últimos 3 anos, Parker foi o PIOR da posição conseguindo separação entre mais de 100 jogadores.

https://twitter.com/SharpFootball/status/1674196020975087617

Para piorar, sabe quem está recebendo média salarial exatamente igual a de Parker? Jakoby Meyers, recebedor versátil – e com apenas 26 anos – que o time deixou ir para o Las Vegas Raiders, mesmo vindo de temporadas com 900 e 800 jardas sequencialmente. “Ah, mas o time trouxe JuJu Smith-Schuster com o perfil de Meyers”…e daí? Com o estilo de Parker, a equipe já tem Tyquan Thornton, uma escolha top-50, indo para seu segundo ano na NFL. Nada faz sentido nessa extensão de Parker, nada.

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