Um exemplo de como agarrar a oportunidade. Único quarterback escolhido na primeira rodada do Draft 2022, Kenny Pickett não teve vida fácil em seu início na liga. Como Mitchell Trubisky, evidentemente, não deu conta do recado, ele teve de assumir a titularidade antes do esperado e viveu seu período de transição dentro de campo.
Isso, contudo, não foi de todo mal. Pickett, naturalmente, sofreu pelas suas limitações técnicas, mas foi capaz de realizar o principal: manteve consistência mental e foi fundamental para ajudar a equipe a não alcançar campanha negativa. A esperança que ele possa evoluir agora existe; reforçada após o belíssimo Draft realizado pela franquia. O que é preciso partir do quarterback, para que um salto maior seja dado neste ano?
Espantando a maldição
Uma das grandes narrativas existentes nas vidas dos passadores na NFL é a famigerada “maldição do segundanista”. Após um ano de calouro interessante, as expectativas aumentam e, na temporada seguinte, a decepção toma conta com tristes atuações. Baker Mayfield e Mac Jones são dois exemplos recentes.
A primeira missão de Pickett é fugir dessa sina. Pode parecer que há algo sobrenatural por detrás disso, porém, nada mais é do que limitações de quarterbacks sendo expostas. Após o primeiro ano, as responsabilidades precisam crescer e, se o passador não for capaz, a queda de produção será evidente.
Em 2022, a primeira missão de Kenny foi diminuir os turnovers. Naturalmente, sua tomada de decisão inicial não era muito boa e os passes forçados custaram turnovers; com a experiência de Mike Tomlin, isso foi corrigido. Em seus cinco primeiros jogos, foram oito interceptações, enquanto nas oito partidas restantes foi interceptado apenas uma vez.
Primeiro passo excelente, pois mantinha Pittsburgh sempre vivo nos confrontos graças à proficiência defensiva entrando em ação. Com isso, se Pickett não brilhava, sacramentava as partidas no momento importante; não à toa, o quarterback registrou cinco game-winning drives, colocando-o entre os cinco melhores nessa estatística[foot]Pro Football Reference[/foot]. Kenny cresceu nos momentos importantes e permitiu que os Steelers fizessem ótima reta final de temporada.
Isso, porém, foi o passo atrás para evitar derrotas. Evitar os turnovers para não entregar o jogo cedo. Em seu segundo ano, ele precisará demonstrar proatividade. Por um lado, Pickett controlou seus turnovers; por outro, não passou para mais de um touchdown em nenhuma partida e tampouco possuiu rating maior do que 100 em alguma delas. Quando é exigido que quarterbacks em seu segundo ano deem o “passo adiante”, é quando há a “maldição”. No caso de Kenny, o passo adiante é saber dosar a agressividade; as ferramentas para isso, a equipe lhe deu.
Estrutura montada
No Draft deste ano, Pittsburgh entendeu de cara sua grande prioridade: melhorar sua linha ofensiva. A proteção é essencial para qualquer quarterback na liga, mas ganha papel ainda maior quando falamos de jovens passadores que ainda estão evoluindo sua velocidade de processamento de jogo.
Pickett precisava de tempo para fazer suas leituras e, com as chegadas de Broderick Jones e Isaac Seumalo, isso não mais poderá ser desculpa. Com proteção melhor, ele pode abusar ainda mais da boa dupla de recebedores que tem: Diontae Johnson e George Pickens – sobre Allen Robinson, é mais difícil tecer comentários, pois seus dois últimos anos foram péssimos. Além deles, Pat Freiermuth vem se transformando em ótima arma no meio do campo .
Toda a estrutura está formada para que Pickett seja capaz de dar o próximo passo. Ele possui comissão técnica experiente, ótima defesa e um ataque que, se não é espetacular, é bem montado. Kenny tem tudo em suas mãos para crescer em seu segundo ano, podendo ousar quando for necessário e mostrar que é capaz de se transformar, verdadeiramente, no franchise quarterback que Pittsburgh espera.
A parte intangível foi de grande importância em seu ano de calouro, sabendo suportar as adversidades e entender que era preciso dar um passo para trás de forma que o coletivo crescesse, ao invés de seu individual. Agora, precisa se mostrar pronto para dar dois passos para frente. Quando avaliamos Pickett na época de seu Draft, apontamos que, para ter uma carreira prolífica na NFL, ele precisava despontar, pois era “bom em tudo, mas espetacular em nada”.
Em 2023, ele precisará ser consistente e, acima de tudo, ser agressivo para não estagnar no patamar de quarterbacks comuns. Para o bem do futuro de Pittsburgh e, mais ainda, para o seu próprio futuro, Kenny precisa dar o salto de produção que esperamos. Do contrário, seu declínio será rápido.
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