Quem diria que eu chegaria a semana de wild card escrevendo sobre o New England Patriots. E mais ainda: que eu estaria considerando um jogo em Foxboro contra o Tennessee Titans complicadíssimo para o time de Bill Belichick. O futebol americano e a NFL são muito mutáveis, mas uma fase tão ruim dos Patriots, em especial de Tom Brady, não passava pela minha cabeça ao início da temporada regular.
Por outro lado, os Titans ressurgiram das cinzas para estar nos playoffs. Depois de um tenebroso 2-4 inicial, o time colocou o quarterback Marcus Mariota no banco e promoveu Ryan Tannehill a titular. Esse movimento salvaria a temporada: com o ex Miami Dolphins comandando o ataque, foram 7 vitórias e apenas 3 derrotas. De um postulante a uma escolha top 10 no draft para um jogo de playoff: essa foi a epopeia dos Titans no ano.
#6 Tennessee Titans (9-7) @ #3 New England Patriots (12-4)
Local: Gillette Stadium, Foxboro, MA
Horário: Sábado, 4 de janeiro, 22h. TV: ESPN
Linha nas casas de apostas: New England favorito por 5 pontos
Derrick Henry e sua chance de brilhar
A bem verdade é que Derrick Henry, running back do Tennessee Titans, nunca alcançou na NFL todo sucesso esperado. Vencedor do Heisman Trophy (prêmio dado ao jogador mais espetacular no futebol americano universitário) de 2015, seus quatro anos na NFL são de muita inconstância. Algumas performances de alto nível se alternam com jogos letárgicos e sem brilho. Não existe chance maior para mudar isso que um jogo de playoffs contra os Patriots. Vale ressaltar que ele será agente livre ano que vem e um bom jogo lhe ajudará no novo contrato.
A fase do principal corredor dos Titans é excelente: Líder da NFL em jardas terrestres na temporada (1504), nas últimas seis partidas sua média foi de 150 jardas por jogo, com mais de 6 por tentativa de corrida. Foram 10 idas a end zone nesses jogos e com certeza o plano de jogo ideal do time comandado por Mike Vrabel conta com pelo menos 20 a 23 corridas de Henry. Pelo chão é a melhor chance de se mitigar essa defesa dos Patriots.
Com uma secundária que foi praticamente impecável durante a temporada, os raros momentos ruins da defensiva dos Patriots vieram pelo chão. Com mais de 4 jardas cedidas por tentativa, New England sofre com um agravante: com o constante uso de cover 0 (cobertura sem nenhum safety), o time fica muito exposto a grandes corridas. Um ajuste e uma escapada se tornam um imenso problemas. Henry já tem 3 touchdowns em corridas de mais 50 jardas. Ou Bill Belichick ajusta isso ou correrá sério riscos.
É hora da linha ofensiva dos Patriots aparecer
Ditar o ritmo do jogo é a principal chave para New England nessa partida. Conduzir drives longos e que terminem em touchdowns será fundamental para que o time de Tom Brady tome logo a dianteira do placar e dessa forma forcem os Titans a mudarem seu plano de jogo. Fazendo com que Ryan Tannehill tenha que ser o centro do ataque de Tennessee e que o time de Nashville perca o equilíbrio entre passar e correr, as chances dos Patriots aumentam muito.
Para que tudo isso aconteça, uma unidade amplamente criticada durante o ano terá que fazer um grande jogo: a linha ofensiva precisa aparecer. O jogo corrido não funcionou como na temporada passada, tendo média de menos de 4 jardas por tentativa. Os running backs foram atingidos na linha de scrimmage ou atrás dela em 21% de suas tentativas, sétima pior marca entre todos os times. O ajuste com a improvisação do linebacker Elandon Roberts como fullback tem ajudado nas últimas semanas, mas será preciso um grande jogo contra uma defesa que é a 10° em eficiência contra o jogo corrido, conforme a métrica DVOA do site Football Outsiders.
A proteção ao passe também não terá uma noite das mais calmas. Sabendo que mandar blitz contra Brady pode ter danos gravíssimos, os Titans devem diminuir o já baixo percentual de 24% de tentativas com cinco ou mais defensores e tentar forçar o quarterback dos Patriots com apenas quatro homens na pressão. Parar o segundo anista Harold Landry será de suma importância: foram 9 sacks, com 39 pressões totais durante a temporada regular. A precisão de Brady, que já anda ruim, pode ficar ainda pior com Landry em seu encalço.
Claro que existem muitos outros elementos que podem influenciar nesse jogo e que não estão claros ainda: será Stephon Gilmore responsável por cobrir A.J. Brown o jogo todo? A linha ofensiva dos Titans está preparada para as blitzes no A gap da defesa dos Patriots? James White pode ser um fator recebendo passes, uma situação onde a defesa comandada por Dean Pees ainda sofre?
O fato é que as maiores vantagens dos Patriots nesse jogo não estarão entre as quatro linhas: a torcida a seu favor e principalmente Bill Belichick. Caberá ao treinador novamente colocar sua genialidade a prova e fazer com que Brady e cia se sobressaiam mesmo numa fase não tão boa. Capacidade não lhe falta, mas essa temporada tudo parece mais complicado.
Do outro lado, um time que vem com a motivação extra e pronto para cometer o crime. Ryan Tannehill é um sério candidato ao prêmio de comeback player of the year, Mike Vrabel foi muito questionado no início da temporada e quer se provar e A.J Brown também está na disputa pelo calouro ofensivo do ano. Nesse momento a setinha está verde para os Titans e apenas amarela para os Patriots.
Meu palpite é que o Tennessee Titans vai para a Semifinal da AFC (Divisional Round).







