Prévias 2019: Os primeiros pilares da reconstrução dos Dolphins

Miami não espera muito de 2019 - tanto treinador quanto general manager admitem que esse é um ano em que o time terá baixas expectativas e focará em sua reconstrução. Nem tudo são pedras: diversos jogadores jovens e com bastante talento terão um ano para se desenvolver e serem pilares da equipe a partir de 2020.

2019: O que você precisa saber!
Será um ano de reconstrução do Miami Dolphins
Pergunta a ser respondida
Josh Rosen é o franchise quarterback de Miami?
Com a batata assando
DeVante Parker
Jogo mais importante
Patriots vs Dolphins, semana 2
Principal reforço
Josh Rosen, QB

Se você é um torcedor do Miami Dolphins, não se estresse vendo os jogos do seu time em 2019. Sente, relaxe, abra uma cerveja e procure observar bem quem fará parte do time em 2020 e quem não fará – o treinador e o general manager farão o mesmo. Os Dolphins começam agora um intenso processo de reconstrução após a era Adam Gase, mas já existem vários jogadores no elenco que podem ser vitais para esse crescimento.

Como foi 2018: (7-9, não foi para os playoffs). Uma ponta de esperança se transformou em grande expectativa quando os Dolphins iniciaram a temporada com três triunfos consecutivos, e o Milagre de Miami na semana 14 não pode ser esquecido. Porém, com três derrotas consecutivas, o time da Florida encerrou o ano de forma negativa, o que culminou no fim da era Adam Gase.

Draft 2019

A melhor escolha do Draft foi Christian Wilkins, iDL, Clemson. Ele será uma estrela: excelente infiltrando para limitar o jogo terrestre e com ótimos movimentos de pass rush. A escolha mais questionável foi a de Andrew Van Ginkel, LB, Wisconsin, mas uma escolha de quinta rodada não é tão questionável assim, convenhamos.

1ª rodada (13): Christian Wilkins, iDL, Clemson
3ª rodada (78): Michael Deiter, G, Wisconsin
5ª rodada (151): Andrew Van Ginkel, LB, Wisconsin
6ª rodada (202): Isaiah Prince, OT, Ohio State
7ª rodada (233): Chandler Cox, FB, Auburn
7ª rodada (234): Myles Gaskin, RB, Washington

Free Agency 2019

Principal reforço: Josh Rosen, QB. Ok, foi por meio de troca na noite do Draft, mas não há como dizer que a adição de um (forte) candidato à franchise quarterback não foi o principal reforço dos Dolphins nessa offseason. Rosen teve um ano de calouro terrível, mas ele ainda tem bastante potencial.

Principal perda: Cameron Wake, EDGE. O pass rush dos Dolphins foi um dos piores da liga em 2018, e a saída de Wake ajudou a agravar o problema. Ele não é mais a estrela do início da década, mas ainda foi responsável por 1/5 dos sacks de Miami no último ano e possui gasolina no tanque.

Qual será o jeito certo de julgar Josh Rosen?

Sim, a temporada de calouro de Josh Rosen foi péssima. Como não poderia? Não havia absolutamente nada que pudesse ajudá-lo a se desenvolver num jogador decente – seja uma boa mente ofensiva lhe auxiliando, uma linha ofensiva que o protegesse, skill players de bom nível para ajudar o ataque a produzir ou até mesmo um sistema ofensivo condizente com suas qualidades.

Em Miami, essa situação é muito mais favorável. Não que tudo vá ser as mil maravilhas – especialmente a questão da linha ofensiva -, mas é uma situação muito menos desfavorável. Chad O’Shea traz consigo um estilo de ataque muito interessante de New England – abordaremos na análise tática -, além de contar com algumas opções interessantes como recebedor. Albert Wilson estava sendo ótimo até se machucar no último ano; Kenny Stills é um bom recebedor – embora nada de especial, e embora DeVante Parker não tenha justificado o hype de sua seleção na primeira rodada, talvez uma mudança de regime transforme seus flashes em uma produção mais consistente.

Kenyan Drake e Kalen Ballage formam uma dupla interessante de corredores. Nenhum deles é tão bom quanto David Johnson, mas não é como se a estrela dos Cardinals tivesse tido algum impacto real no último ano por conta do péssimo esquema ofensivo de Mike McCoy. Acredito de verdade que O’Shea terá capacidade de potencializar os skill players dos Dolphins; a grande incógnita está na linha ofensiva do time, que, sendo sincero, é péssima e não possui muito o que se aproveitar além de Laremy Tunsil. Miami investiu duas escolhas de Draft em jogadores de proteção, e Deiter é do tipo que pode ser titular desde o primeiro dia; de modo geral, todavia, o futuro imediato é tenebroso nesse quesito.

Colocando em contexto, nem mesmo a horrível situação na qual Rosen estava inserido foi suficiente para que os Cardinals mantivessem-no para uma segunda temporada – eu sei, eu sei, esquemas, Murray etc -. Será que a situação dos Dolphins é suficiente para que possamos julgar Josh de forma concisa? Não é um grupo de elite, mas há condições muito melhores para se desenvolver. Não que isso fosse lá muito difícil.

Vale lembrar, por fim, que a linha ofensiva dos Dolphins possui o brasileiro Durval Neto, ex-iDL do Atlético, que assinou com a organização em abril. Por meio do NFL International Player Pathway Program, algo como um ‘Programa para Jogadores Internacionais’, Duzão, como é conhecido, possui vaga garantida no practice squad da equipe. Ele chegou a Miami na condição de interior de linha defensiva, mas posteriormente mudou de posição e se tornou um guard.

A defesa já possui talento para basear sua reconstrução

Sabendo que grande parte da staff de Miami proveio de New England, se o sistema ofensivo é proveniente dos Patriots, é bastante provável que o defensivo também seja – afinal, Brian Flores foi o principal assistente defensivo de Belichick no último ano. Assim, imagino que veremos os Dolphins utilizando múltiplas combinações de fronts, sem assumir necessariamente uma base 4-3 ou 3-4, com predominância de pacotes nickel – mas dime, base e quarter também terão suas participações como package.

A excelente notícia para o torcedor dos Dolphins é que o time já possui alguns jogadores que serão extremamente importantes ao passo que o elenco se reconstrói. Primeiro, Christian Wilkins foi um achado fantástico no meio da primeira rodada, especialmente se considerarmos sua capacidade de pass rush por dentro da linha; o grupo de EDGEs não impressiona muito (uma evolução de Charles Harris seria extremamente bem-vinda, mas não conte com isso), todavia, Jerome Baker é um jogador com muito potencial e que costuma passar despercebido pelo fã casual; Kiko Alonso não é mais o mesmo, mas ainda possui lá sua qualidade, e se espera um desenvolvimento melhor de Raekwon McMillan.

É na secundária que está minha maior esperança de desenvolvimento. Primeiro, o grande nome é Xavien Howard, que discretamente se colocou dentre a elite da liga e foi recompensado com um contrato que lhe transformou no cornerback mais bem pago da liga – gosto muito de Howard apesar de achá-lo relativamente inconsistente; em Minkah Fitzpatrick, os Dolphins possuem um segundanista que foi bem em 2018 e que tem potencial para se tornar um dos melhores da posição na liga, seja por seu talento, seja por sua ética de trabalho. Também me agradam Bobby McCain e Reshad Jones.

O que mudou na Intertemporada? Tudo, basicamente. Essa será a primeira temporada desde 2012 que os Dolphins não terão Ryan Tannehill como seu quarterback titular, tendo finalmente cortado a corda com o jogador depois de vários anos de contestação. A comissão técnica mudou, e o time está em claro processo de reconstrução desde a chegada de Chris Grier e Brian Flores.

Aspecto tático: É bastante provável que vejamos em Miami a mesma Erhardt-Perkins Offense que existe em New England. Falando de forma simplificada, é um estilo de ataque em que as chamadas não apontam as rotas, mas sim combinações das mesmas de modo a simplificar a comunicação entre o quarterback e o resto do ataque – com exceção das proteções da linha ofensiva. É o tipo de ataque que ajuda muito na questão de mudanças na linha de scrimmage, pois você pode fazer alterações sem revelar para a defesa qual a nova jogada por meio de duas ou três palavras que representam o playcall. Além disso, esse tipo de ataque permite que você utilize diferentes jogadas com a mesma formação e o mesmo personnel em campo.

Jogo mais importante: vs Patriots, semana 2. Para um time jovem e em processo de reconstrução, que início de temporada melhor do que a principal fortaleza da AFC e rival de divisão em casa? Implicará pouco em relação aos playoffs, mas uma vitória pode ser de grandíssima importância para a evolução de Miami.

Pergunta a ser respondida: Josh Rosen é o franchise quarterback de Miami? Treinador e general manager já abraçaram: 2019 será um ano de reconstrução. Com um elenco fraco, os Dolphins estarão na briga pelas primeiras escolhas do Draft de 2020, e com uma ótima classe de quarterbacks vindo, Miami terá de descobrir se pode confiar as chaves da organização à Rosen ou se será uma das franquias na busca por um novo líder na próxima classe.

2019: O que você precisa saber! Não há necessidade de criar expectativa com a temporada de 2019 do Miami Dolphins – todos na organização sabem que é um ano de reconstrução. O momento é de entender quais jogadores podem ser pilares desse novo recomeço, ao passo que todos os olhos estarão em Josh Rosen: ele é o nome que deve liderar a franquia na próxima década, ou os Dolphins devem ir atrás de um novo franchise quarterback no Draft de 2020?

Com a batata assando: DeVante Parker. O recebedor nunca conseguiu se desenvolver da forma que lhe era esperada quando estava sob o comando de Adam Gase, seja por lesões ou simplesmente falta de produção. Ele recebeu uma extensão contratual na offseason, todavia, depois de quatro anos bastante decepcionantes na Florida, é certo que a paciência da organização com o mesmo está por um fio – mesmo que o comando tenha sido alterado.

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 Previsão para 2019

Não dei falsas esperanças ao torcedor dos Dolphins ao longo do texto e não o farei aqui na previsão: o time não vai aos playoffs e muito provavelmente será o último colocado na AFC East. O que se há de lembrar é que todo time passa por um processo de reconstrução e, acredite: os primeiros passos da reconstrução que Miami está executando foram maravilhosos.

Existem jogadores de qualidade no elenco, mesmo que num número longe do suficiente para brigar por algo a mais. Não podemos esquecer, contudo, que os Dolphins devem ter uma escolha alta no próximo Draft, e isso pode ser maravilhoso – ainda mais se Miami se convencer que Rosen é um franchise quarterback e usarem tal seleção para acumular ainda mais escolhas. Mas isso tudo fica pra 2020: o time da Florida não vai longe no ano que se avizinha.

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