Entra ano, sai ano e a discussão segue: em que prateleira está Derek Carr, quarterback do Las Vegas Raiders? Por mais que se tenha certeza que ele não está na rabeira, sendo um jogador sólido, poucos ousam dizer que ele é um jogador inquestionável em sua posição. É como se Carr fosse aquela marmita que você compra ao lado do trabalho, para almoçar: feita com capricho, tem um preço razoável e mata a fome; porém está longe de ser o prato que te faz salivar ao imaginá-lo.
O grande X da questão é o que os Raiders almejam e até onde pensam que podem ir com Derek Carr. Após contratarem Jon Gruden por 10 anos, se mudarem para Las Vegas, construírem o moderno e belíssimo Allegiant Stadium, a franquia de Mark Davis precisa pensar em resultados dentro de campo. Uma das mais tradicionais equipes de toda NFL, passa por uma seca de bons resultados desde a ida ao Super Bowl XXXVII: somente uma visita aos playoffs – que culminou numa derrota já no wild card. Nem mesmo um título da divisão é conquistado desde lá, no longínquo ano de 2002.
Quanto Carr tem de culpa na falta de triunfos?
Titular desde que foi draftado em 2014, é impossível dizer que Carr não teve tempo para mostrar resultados. Claro que ele não é o único responsável pela falta de frequência do time nos playoffs: na única vez em que a equipe chegou lá, ele fazia uma temporada em que brigava pelo MVP, até quebrar a perna na semana 16 e perder justamente a pós-temporada, o que foi fatal para as pretensões dos Raiders. Nos demais anos, nem sempre teve um grande time ao redor. Mas também disso surge a indagação: Carr é capaz de elevar o jogo de seus companheiros?
Se criou ao redor do camisa 4 uma falsa narrativa de ser um quarterback que só joga num sistema de passes curtos, se livrando muito rápido da bola e que não consegue ser decisivo quando necessário. Mitos, visto que seus passes em 2020 viajaram em média 8 jardas no ar, marca maior que Aaron Rodgers e Kyler Murray, por exemplo. Quanto a ser decisivo, Carr é o segundo quarterback com mais campanhas para vitórias e viradas no último período desde sua chegada na liga.
É muito fácil jogar para o lado do quarterback uma responsabilidade que não é dele: em seus 7 anos na NFL, em 6 os Raiders estiveram entre os 10 times que mais cederam jardas por jogadas. Já o ataque esteve apenas uma vez na rabeira, usando o mesmo parâmetro, em 2014, no ano de calouro de Carr. Nas duas últimas temporadas, inclusive esteve entre os 10 melhores. A narrativa de sempre culpar o quarterback é evidente neste caso, quando o real problema está no outro lado da bola. Carr pode não ser elite, mas ele passa longe de ser um impeditivo para melhores resultados.
Nada deve mudar por enquanto
Para 2021, o burburinho em redor do nome do titular dos Raiders nos últimos anos ficou grande. Afinal de contas, seu contrato chegou naquele ponto que sempre deixa o jogador vulnerável: se trocado ou cortado ele deixa apenas US$ 2,5 milhões de dead cap, enquanto a franquia abriria US$ 19,6 milhões na folha salarial, hoje negativa. Mas como diz o nosso editor-chefe Antony Curti: não existe impeachment sem um sucessor. E não, Marcus Mariota não deve entrar na conversa aqui por conta de UM jogo mediano contra a terrível defesa do Los Angeles Chargers.
Quando olhamos para o mercado, nenhum nome que possa assustar Carr parece estar disponível. Com o uso da franchise tag em Dak Prescott cada vez mais iminente pelo Dallas Cowboys, a free agency fica pobre na posição. No Draft, os Raiders só escolhem na 17 e para conseguirem um dos principais quarterbacks provavelmente terão que subir, quem sabe até usando Carr como moeda de troca. O ponto que vale lembrança é que Jon Gruden detesta quarterbacks novatos: seu sistema é complexo, ele não tem paciência alguma e já deixou isso claro algumas vezes. O vídeo abaixo é um exemplo disso:
#tbt to that time when Chris Simms asked Jon Gruden for directions to the nearest Olive Garden pic.twitter.com/RXTAXa0gA0
— Blue Wire Podcasts (@bluewirepods) August 15, 2019
A aposta é que para 2021 nada mude no comando do ataque da equipe de Las Vegas. Cabe a Carr seguir fazendo o seu bom trabalho e torcendo para que a defesa lhe dê maiores chances de conseguir resultados expressivos. Caso contrário, é possível que em 2022 ele não esteja mais nos Raiders e saia com a injusta mancha de ser um quarterback que não pode levar seu time a lugar algum.
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