17 de abril de 2016, resultado que for, será um dia marcante na história do Brasil. Obviamente, a maioria das pessoas está se importando com política hoje – e não com esportes. Exemplo máximo é o fato de que o tradicional futebol na Globo foi movido de domingo para sábado por conta da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.
Então pensamos: o que poderíamos publicar hoje em ProFootball que seja de acordo com o momento histórico e que seja algo que as pessoas teriam curiosidade de ler? Seria, justamente, a questão de um impeachment do líder máximo da liga, seu Comissário. Desde 2006 o cargo é ocupado por Roger Goodell e, se comparado com os comissários que lhe antecederam – Pete Rozelle e Paul Tagliabue – o mandato de Goodell passou por muitos mais problemas. Spygate, Deflategate, uso de drogas por jogadores, a “guerra” contra as concussões, jogadores e violência doméstica, Ray Rice, Tom Brady, Adrian Peterson, Josh Gordon… Foram muitos os problemas nesses 10 últimos anos.
A popularidade de Roger Goodell é testada anualmente no Draft – quando ele é o responsável por anunciar as escolhas de primeira rodada. É costumeiro que Roger seja sempre vaiado pelos fãs presentes em Nova York e mais recentemente no ano passado em Chicago. O motivo? Bom, Goodell foi o comissário que mais suspendeu jogadores até hoje. No ano passado quis suspender Tom Brady por 4 jogos e depois perdeu na justiça a tal suspensão. E é impossível esquecer do episódio de Ray Rice, quando um vídeo do ex-jogador espancando a noiva no elevador veio a público – e só aí a liga fez algo, grifando que não havia visto o vídeo.
A crise já passou para o escritório da liga. Agora os problemas parecem ser outros – as concussões, como dito, e controlar jogadores que constantemente são pegos em exames anti-doping. Mas e se mais problemas ocorrerem? Goodell pode sofrer impeachment?
Sim. O Artigo VI, Seção 6.5 (G) da “constituição” da NFL (lembrando que a liga é uma associação, para fins jurídicos, e tem que ter um estatuto) diz o seguinte:
No evento em que o Comissário ou qualquer outro executivo da liga:
a) seja condenado por crime envolvendo torpeza moral
b) esteja fisicamente ou mentalmente incapacitado de executar suas obrigações
c) falhe ou recuse em empregar o estatuto
E o Comitê Executivo achar que tal ação por tal executivo é prejudicial para os melhores interesses da liga, então esse comitê tem poder, após notificação, de remover o poder do executivo/comissário ou de finalizar o contrato entre este e a Liga.
Todas as ações e decisões do Comitê devem ser aprovados mediante voto afirmativo de 3/4 ou 20 totais (ou seja, é uma maioria superior do que a necessária para o impeachment de um presidente no Brasil). Da mesma forma que a Câmara dos Deputados ou do Senado, todos os “entes” constituintes têm direito a voto nesse comitê. Ou seja, um representante e um suplente de cada um dos 32 times da liga, apontados pelos times. Os membros são os donos dos times ou alguém de cargo alto.
Na teoria, é assim que funciona. Na prática, funciona como Brasília. Goodell ou qualquer outro comissário só seria destituído se a “economia” da liga estivesse um caos e se o “alto clero” dos donos de franquia assim quisesse. O alto clero seriam os donos de franquia com maior poder de influência: notoriamente os mais tradicionais (família Mara/Giants e família Rooney/Steelers) e Jerry Jones (Cowboys) mais Robert Kraft (Patriots).






