A NFL não dá ponto sem nó: já no primeiro Monday Night Football da temporada, levará Russell Wilson de volta a Seattle, para um reencontro com a franquia que é ídolo. A atmosfera nesse jogo deve ser espetacular, com o Denver Broncos e Wilson tendo que lidar com um estádio dos mais barulhentos da liga, num confronto recheado de emoções e com transmissão para o país todo. Vale lembrar que a ESPN brasileira mandou uma equipe para cobrir essa partida in loco, com Ari Aguiar e nosso editor-chefe Antony Curti nas cabines.
Tudo isso me fez pensar: é a primeira vez desde que chegou na NFL que o novo quarterback do Denver Broncos atuará sem estar sob a tutela de Pete Carroll. Por mais que o treinador dos Seahawks não esteja na melhor fase de sua carreira – justamento o contrário, para ser honesto -, negar sua importância na carreira de Russell seria um erro crasso: o camisa 3 evoluiu por conta do trabalho do treinador, além de seu talento. Mesmo sendo um jogador consolidado, mudanças são sempre enigmáticas, o que deixa a pergunta: qual Russell Wilson veremos?
A estrutura ofensiva é bem diferente
Nathaniel Hackett, novo head coach do Denver Broncos, fez um excelente trabalho com Aaron Rodgers em seus anos no Green Bay Packers, sendo fator para que o camisa 12 levasse nas duas últimas temporadas o prêmio de MVP. Um dos seus grandes méritos foi desenhar um ataque criativo e que colocasse Rodgers numa posição de poder fazer um lançamento muito produtivo em termos de jardas – no menor tempo possível: o camisa 12 de Green Bay soltou a bola em 2,63 segundos de média, quinto mais rápido da liga[foot]Pro Football Focus[/foot].
Wilson é um quarterback que naturalmente segura a bola um pouco a mais que deveria, então, uma adaptação nessa nova estrutura será necessária. Leituras rápidas, com o pré-snap sendo seguido, serão fundamentais para encontrar o ritmo na ofensiva de Hackett.
É hora de esquecer aquele Wilson que improvisa sem parar, sambando atrás da linha de scrimmage, até achar alguém no fundo do campo e soltar uma bomba: a ordem agora é se livrar da bola rápido.
Let’s russ Cook? Nem tanto
É claro que quando se tem um grande quarterback, se quer ver a bola na mão dele bastante. Todavia, não espere um Denver Broncos abdicando do jogo corrido e tendo uma carga desproporcional de jogo aéreo em detrimento do terrestre – como o Tampa Bay Buccaneers, que passou a bola em 65% dos snaps em 2021 -: Nathaniel Hackett gosta do equilíbrio ofensivo, colocando seus running backs para trabalhar. Inclusive, os Broncos trouxeram Melvin Gordon de volta para fazer companhia a Javonte Williams, algo similar ao combo Aaron Jones- A.J. Dillon nos tempos de Packers.
Assim, Wilson terá um novo elemento no seu jogo: o screen pass. . Com o passar do tempo, aí sim, Wilson deve se soltar e ter comando do esquema e do ataque como um todo. Será preciso um pouco de paciência do torcedor, mas ele pode ficar tranquilo: nesse ponto da carreira, o camisa 3 é quarterback com as pernas bem estabelecidas, que não depende mais nem um pouco de Pete Carroll.
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