Teddy Bridgewater está maduro para ser “o cara” do Minnesota Vikings?

Selecionado como a última escolha da primeira rodada do Draft de 2014, Teddy Bridgewater disputará sua terceira temporada na NFL daqui a menos de dois meses. O camisa cinco do Minnesota Vikings é um dos tópicos mais quentes desta intertemporada, e a mera menção do seu nome já levanta diversos questionamentos: será que ele tem o potencial para se tornar um franchise quarterback, isto é, o “cara” da franquia pelos próximos cinco, dez anos? O quê ele precisa demonstrar nesta temporada para que quaisquer dúvidas sobre seu potencial sejam postas de lado? O que justifica números menores que outros quarterbacks da mesma classe (2014), como Blake Bortles ou Derek Carr?

A pesquisa para este texto foi um pouco menos ortodoxa do que a que geralmente faço. Fiz questão de conversar com torcedores do Minnesota Vikings e de outros times da NFL e as considerações que estes tem em relação a Teddy Bridgewater, seu estilo de jogo e situação dentro da equipe – claro, além do estudo do vídeo das partidas do signal caller e análise das estatísticas.

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Deparei-me com algumas posições extremas, que chegaram a falar que o jogador é um Alex Smith piorado, sem capacidade de mover as correntes do ataques; outras opiniões que o elevavam ao status de um gênio que ainda não desabrochou pelas tendências ofensivas com Adrian Peterson – o que chamaremos aqui de Petersoncentrismo – e a falta de necessidade de uma presença sólida dentro do pocket. Vamos analisar estes dois pólos para chegarmos à conclusão se Teddy Bridgewater é o nome do futuro dos Vikings e se ele está maduro o suficiente para assumir uma carga maior do ataque da franquia da NFC North.

O “Petersoncentrismo”

A primeira coisa essencial para compreendermos Teddy Bridgewater é o contexto no qual ele está inserido. O Minnesota Vikings é um ataque que prioriza o jogo terrestre. Em 2015, a franquia foi a quarta equipe da NFL em tentativas de corrida, com 474 – 48,88% das jogadas ofensivas da franquia foram pelas trincheiras. Para ilustrar, apenas o Carolina Panthers (49,84%) e Buffalo Bills (50,10%) ficam na frente neste quesito. Ambas contam com um quarterback móvel – Cam Newton e Tyrod Taylor, respectivamente. E não, antes que subconscientemente você pense em Bridgewater como scrambler por conta da cor de sua pele, não é o caso (chega até a ser um preconceito).


É perfeitamente natural que o ataque de Norv Turner, coordenador ofensivo do Minnesota Vikings, priorize o jogo corrido. Afinal, você conta com ninguém menos que Adrian Peterson, um dos mais talentosos running backs a jogar a posição na história da liga. O camisa 28 liderou a NFL em jardas em 2015, conseguindo uma média de 92.8 jardas por jogo. Apenas para ilustrar, em todas as temporadas que Peterson disputou as 16 partidas da temporada regular, o Minnesota Vikings foi aos playoffs. O impacto desse nome é tão grande, que a opção por um ataque que prefere correr com a bola é apenas lógica.

A filosofia de controlar o ritmo de jogo, castigar os adversários pelo chão e contar com uma defesa sólida segurando a vantagem do outro lado acaba por desonerar Bridgewater de ter que buscar o resultado forçando passe atrás de passe. Em 2015, foram raríssimas as situações nas quais Teddy Bridgewater teve que abandonar o jogo corrido e buscar o resultado depois de ficar muito atrás no placar. Ao contrário de Blake Bortles, que teve que basicamente tentar ser ninja em quase todas as partidas do Jacksonville Jaguars, Bridgewater esteve majoritariamente numa posição de controlar a partida, garantir a vitória, sem arriscar.

Para ilustrar, os melhores números de Bridgewater quando falamos de quarterback rating foram quando o Minnesota Vikings esteve perdendo na faixa de 1-8 pontos; além disso, o rating do jogador no último quarto quando perdendo por sete pontos foi 113.5 (o máximo é 158.3). Parece forçar a barra selecionar estes números para justificar o potencial do jogador, embora isso mostre que ele tem a capacidade de liderar a franquia para conquistar jogos. Em partidas contra grandes equipes, como contra o Arizona Cardinals, Denver Broncos e Seattle Seahawks nos playoffs, Teddy Bridgewater colocou a equipe em condições de vencer as partidas.

A inteligência e visão dentro de campo

Após sua temporada de calouro, a ESPN americana reportou que Teddy Bridgewater demonstrou enorme capacidade de evitar falhas mentais e tomar decisões que resultariam em turnovers. Há uma estatística chamada bad decision rate (BDR), uma forma de medir qual a frequência que um quarterback faz um erro mental que resulta num turnover. O percentual de Bridgewater em 2014 foi de 0.5, um número digno de Tom Brady no auge da sua carreira. Para ilustrar, a média da liga é de 2 (um em cada 50 passes) enquanto os quarterbacks de elite mostram cerca de 1 a cada 100. Em 2015, o site ProFootball Focus destacou que o camisa 5 do Minnesota Vikings teve o terceiro menos percentual de passes “em más decisões” na NFL.


Há quem coloque isso na conta do conservadorismo – e, em parte, concordo. Dentro da filosofia ofensiva do Minnesota Vikings, de controlar a partida e não tomar riscos, Bridgewater não se obriga a lançar os passes arriscados que outros precisam. Isso inflaciona tais números. A “contraprova” virá em situações nas quais ele precisará buscar o resultado e colocar o time em situações de vencer o jogo, como o fez contra os Broncos, Cardinals e Seahawks ano passado.

Bridgewater, além de ter demonstrado uma capacidade de evitar erros, também se mostrou preciso, especialmente em passes médios. Na faixa de 10-19 jardas, o quarterback se sentiu confortável e teve seu melhor rendimento lançando a bola. Em que pese o fato do ataque do Minnesota Vikings exigir esses lançamentos mais curtos, Teddy Bridgewater se mostrou extremamente capaz de realizá-los com excelente precisão. Se as defesas permitirem que ele lance a bola nessa faixa do campo, ele ficará confortável e estabelecerá um ritmo ao lado do jogo corrido. A preocupação dos torcedores do Minnesota Vikings fica no caso da redução do espaço nessa faixa: Bridgewater seria obrigado a lançar bolas mais longas, fundamento que ele não demonstrou um grande domínio nos seus dois primeiros anos. Há duas possibilidades para isso: a primeira é a falta de talento do corpo de recebedores e a incapacidade deles de criar separação; a segunda cinge sobre a falta de polimentos das mecânicas de passe: às vezes Bridgewater tem uns pequenos vacilos no seu movimento de lançamento, que acabam por resultar em variações enormes entre o alvo e a bola num passe em profundidade.

Por fim, Teddy demonstra dois atributos essenciais para se jogar a posição de quarterback: a progressão nas situações de passe e awareness, isto é, a consciência da própria posição que ele se encontra dentro de campo em relação aos adversários. Mesmo sofrendo pressão, o camisa 5 demonstrou que consegue manter os olhos no fundo do campo, fazendo a progressão entre os possíveis alvos e sem se desesperar dentro do pocket.

O elenco de apoio

Em seus dois primeiros anos de NFL, Teddy Bridgewater sofreu com o elenco de apoio. Em 2015, o camisa 5 do Minnesota Vikings foi o quarterback mais pressionado da liga. Em 46.7% dos seus dropbacks, Bridgewater sofreu algum tipo de pressão. Apenas para colocar isso em perspectiva, esse número é apenas um pouco maior do que a pressão sofrida por Cam Newton no Super Bowl 50 (42.9%) e Tom Brady na final da AFC (45%) – e bem mais do que a média de 30% do resto da NFL.


Claro que estes números não se justificam apenas por um trabalho ruim da linha ofensiva, eleita pelo Pro Football Focus como a 16ª da NFL – ou seja, exatamente na média. Isso se deve também às chamadas ofensivas. O Minnesota Vikings liderou a NFL em dropbacks de sete passos, isto é, recuos grandes do quarterback para fazer o passe. Ou seja, em muitas situações quando Bridgewater terminava de dar os sete passos, já tinham jogadores em cima dele para fazer o sack ou forçá-lo a fugir da pressão e improvisar o desfecho da jogada.

Se descontarmos a pressão nos seus dropbacks e as chamadas ofensivas que o colocavam em situações desfavoráveis, ainda temos a questão do corpo de recebedores. Ano passado, Mike Wallace chegou como a solução para ser o recebedor número um da equipe – e fracassou drasticamente nessa missão. Wallace foi ranqueado pelo Pro Football Focus como 101º wide receiver da temporada – isso mesmo, atrás de outros 100 companheiros de posição. Em perspectiva, o número um do Minnesota Vikings foi pior do que a maioria dos recebedores número três e até quatro da maioria dos times. O líder em jardas e touchdowns da equipe ano passado, Steffon Diggs, foi titular em apenas nove das dezesseis partidas da temporada regular.

Portanto, a análise de Teddy Bridgewater não pode ser feita apenas olhando estatísticas objetivas. A situação na qual ele jogou nos últimos dois anos envolve não apenas o talento e capacidade do camisa cinco, mas toda a unidade ofensiva. É difícil despontar como um líder ofensivo na NFL quando a vocação ofensiva do time não promove esse salto, sendo o quarterback mais pressionado da liga, com parte do playcalling prejudicial e um elenco de recebedores pobre.

O que esperar de Bridgewater em 2016?

Honestamente, é improvável uma mudança brusca nas estatísticas de Teddy Bridgewater para 2016. Adrian Peterson não dá sinais de cansaço pela idade e deve manter o pé no acelerador – e a tendência é que as preferências ofensivas se mantenham as mesmas. A chegada de reforços na linha ofensiva dão ainda mais solidez na abertura de espaços para Adrian Peterson.

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O que Bridgewater tem que mostrar em 2016 é que ele tem a capacidade de mover o ataque por si só. Acertando os passes médios, mas também os longos. Na evolução do quarterback na carreira profissional, contar com um Adrian Peterson no seu backfield é uma dádiva; a quantidade de espaços que a simples presença do camisa 28 abre para o signal caller devem ser exploradas pelo jogo aéreo. E Teddy Bridgewater tem os atributos mentais para jogar a posição. Ele tem consciência da sua posição do campo, ele evoluiu na sua progressão dos recebedores, ele consegue evitar turnovers sem tomar decisões ruins.

O que Teddy Bridgewater deve fazer é se tornar um quarterback completo. Um que ameace o time adversário em todas as faixas do campo com a mesma precisão e o mesmo potencial. Eu acredito que o jogador tem o que precisa para ser bem sucedido na NFL. Neste seu terceiro ano, já não cabe mais colocar nas costas do elenco de apoio ou das tendências ofensivas a sua falta de impacto. Embora isso tenha que ser levado em consideração, Bridgewater precisa mostrar que suas qualidade mentais estão em sintonia com as suas físicas e que ele por si só tem condições de conduzir o ataque, independentemente de linha ofensiva, corpo de recebedores e jogo corrido.

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