Agora de volta e com novo nome, a coluna 1st & 10 é a forma de você rapidamente se inteirar sobre os principais assuntos da semana na NFL.
Postada toda quarta-feira com Henrique Bulio, é uma forma de você rapidamente ficar informado! Confira aqui o índice completo da coluna.
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- Eu acho que a troca de Minkah Fitzpatrick foi arriscada, mas uma boa decisão de Pittsburgh. Você já ouviu falar que os Steelers trocaram a escolha de primeira rodada do próximo Draft pelo defensive back dos Dolphins, certo? Minkah é excelente, jovem e está apenas em seu segundo ano na liga – mas a contratação possui alguns riscos.
Eu tinha Fitzpatrick como o melhor jogador defensivo da penúltima classe e uma escolha digna de top 5. Os Dolphins utilizaram-no mal na última temporada e mesmo em seu limitado período em campo, ele foi muito bem. Não surpreende ver ele pedir para ser trocado sabendo que Miami vai ser provavelmente o time menos competitivo que passou pela liga em um bom tempo – a personalidade do jogador está longe de combinar ou se adaptar a um time cujo tank está escancarado.
Entra o lado de Pittsburgh. Não vamos esquecer que há dois Drafts os Steelers usaram uma escolha de primeira rodada em Terrell Edmunds, safety cujo valor de escolha foi bem questionável. Agora, eles novamente “utilizam” uma escolha de primeira rodada num jogador dessa posição; depois, não vamos esquecer que a equipe da Pennsylvania perdeu Ben Roethlisberger por toda a temporada e as chances de suas escolhas estarem no topo do Draft são altas.
Eu acho que Minkah é um jogador que vale essa escolha de primeira rodada mesmo se ela for alta. O grande risco, evidentemente, está em Roethlisberger: supondo que ele não possa voltar (ou não volte em nível tão grande), Pittsburgh terá perdido uma chance de ouro de escolher um novo franchise quarterback numa classe com ótima projeção para tal. A ver.
2. Apenas 12% dos times que começam 0-2 a temporada acabam indo para os playoffs; dos que começaram o ano com essa campanha, vejo apenas o Carolina Panthers com chance real de classificação para a pós-temporada. Começar o ano com uma derrota em casa para um rival de divisão numa semana curta está longe do ideal, mas como tudo na vida, precisamos de contexto aqui.
Cam Newton está em processo de adaptação a uma nova mecânica de passe por conta de sua lesão no ombro e a lesão no tornozelo que se agravou na pós-temporada de nada ajudou no desempenho do jogador nas primeiras duas semanas; para piorar essa situação, a linha ofensiva não está jogando no nível esperado, especialmente o lado esquerdo da mesma.
O que ajuda (e muito) os Panthers é a situação atual da NFC South. Os Falcons demonstraram tudo nas primeiras duas semanas, menos consistência – e Matt Ryan está tendo um terrível início de 2019; os Buccaneers precisam criar uma nova identidade com a dupla Arians e Winston, e os Saints estarão sem Drew Brees por um período considerável de tempo. Se jogarem no nível que esse elenco realmente pode atingir, os Panthers terão total capacidade de dominar a divisão, a qual não possui nenhum time invicto.
3. Dos times que estão 2-0 (63% de classificação para a pós-temporada quando começam com essa campanha), minha maior surpresa é o San Francisco 49ers. O time era uma completa incógnita antes do ano começar por diversos fatores (volta de Garoppolo, defesa ruim nos primeiros anos de Shanahan etc) mas as duas vitórias iniciais e fora de casa são um sinal muito positivo para o que pode ser 2019.
Ainda que eu não consiga ver o time como potência da NFC West e ache que, em algum momento, os 49ers sairão da briga pelo título da mesma – Rams e Seahawks também estão invictos, lembremos -, a chance do time começar o ano com quatro triunfos consecutivos é bem grande, já que os Steelers (lembremos, sem Ben Roethlisberger) e os Browns viajarão até Santa Clara nas próximas semanas. É um time pra ficar de olho.
4. Os avanços de Josh Allen têm sido animadores – o próximo passo é mostrar consistência nos mesmos. Assistir seu jogo contra o New York Giants foi uma experiência animadora: sua tomada de decisão foi muito boa (embora ele ainda precise se livrar da bola com mais rapidez quando necessário), a precisão em seus passes esteve muito boa e várias jogadas terminaram com um passe incrível devido a seu braço.
Ao longo das próximas semanas, o importante é que o segundanista consiga mostrar esses mesmos avanços de forma consistente, sem reverter para as mecânicas ruins quando for pressionado. O jogo contra os Patriots, dentro de casa e na quarta semana, será um ótimo medidor para o nível real de Allen.
5. A maior preocupação que eu tenho com os Saints nesse momento, mais do que a lesão de Drew Brees, é com a forma de Marshon Lattimore. Provavelmente longe de ser motivo pra pânico, mas a forma de Lattimore nos dois primeiros jogos não foi assim tão impressionante – especialmente no confronto contra os Rams, no último domingo. Lattimore foi facilmente explorado pelos designs de Sean McVay e seus números foram ruins: 5 passes completos de 6 lançados em sua direção para 142 jardas, 1 touchdown e um passer rating de 158.3. Definitivamente não é bom.
6. Já que estamos falando sobre cornerbacks, todos os times deviam perguntar por Jalen Ramsey. Mesmo. Não acho que Ramsey seja um grande problema de vestiário – acho apenas que o grande problema dele é falar demais. Ele tem talento para ser o melhor cornerback da liga – como já foi em alguns momentos de 2017 -, é jovem e sua qualidade de marcar individualmente os recebedores facilita bastante para os coordenadores defensivos ao montar o plano de jogo. Eu não consigo ver as reclamações ou as falas exageradas dele como motivo para evitar que algum time apresente proposta para adquiri-lo.
7. Não vejo mais sentido em colocar Rosen pra jogar nessa temporada se for pelos Dolphins. Segundo o insider Ian Rapoport, Rosen será o titular na partida do próximo domingo, contra os Cowboys. Sem linha ofensiva, alvos ou uma defesa decente, o jogo deve ser mais um massacre em cima do time de Miami, que a esse ponto se projeta para ser um dos piores times em toda a história da liga. O talento de Rosen, sozinho, não vai resolver nada – vimos isso claramente na temporada passada em Arizona. Como fã do jogador, espero apenas que ele consiga se manter saudável, o que vai ser um feito e tanto considerando os jogadores de proteção que os Dolphins possuem.
8. O Thursday Night Football da AFC South não é mais o show de horrores que foi no início da década. Assista-o. Ok que o prospecto de um Titans e Jaguars pode não parecer tão apelativo de início – especialmente se considerarmos o que eram os jogos de quinta-feira na primeira metade da década -, mas acredite: isso tem tudo para ser um bom jogo. Os dois times possuem boas defesas, existe o drama de Jalen Ramsey pelos Jaguars e os Titans terão em rede nacional uma chance de mostrar o que realmente são – a incógnita é bem grande nesse início de temporada. Dê uma chance a esse jogo: ele tem potencial.
9. O jogo mais interessante da semana 3 certamente será entre Ravens e Chiefs. A combinação de rotas em três níveis impressa por Kansas City é letal contra a maioria dos times, mas Baltimore foi extremamente agressivo na última temporada quando defrontou o time de Andy Reid e as sucessivas blitzes de Don Martindale foram um pesadelo para Patrick Mahomes ao longo da partida – e ainda assim não foram o suficientes para vencer os Chiefs, que triunfaram por 27 a 24 na semana 14 do último ano.
O uso excessivo de blitzes naturalmente tem seu ônus: menos jogadores em cobertura. Sabemos que Mahomes é um quarterback mestre em estender as jogadas ao mesmo tempo em que seu release rápido permite que ele leve um pouco mais de tempo para soltar a bola. A estratégia defensiva dos Ravens é o ponto a se notar: Baltimore vai novamente lotar a linha de scrimmage e fazer Mahomes respeitar as blitzes, ou colocará mais jogadores na cobertura e rezar para que seu pass rush consiga criar pressão com quatro jogadores?
10. Os Bears tem um kicker! Depois de sofrerem por conta de Cody Parkey (obrigado) nos playoffs na última temporada, muito se falou sobre a disputa pela titularidade em Chicago. Eddy Pineiro venceu a batalha e teve um grandíssimo teste já na segunda semana da temporada, precisando acertar um field goal de 52 jardas para vencer o jogo em Denver contra os Broncos. O ataque ainda continua um grande motivo de preocupação e as exibições de Trubisky nos dois primeiros jogos foram péssimas, mas ao menos Matt Nagy tem um problema a menos para se preocupar.
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