Começar a temporada com campanha negativa nunca é bom. Começar a temporada perdendo em casa para Arizona Cardinals e Las Vegas Raiders é péssimo: foram duas equipes que, respectivamente, tiveram a terceira e a primeira pior campanha de 2025. Mas começar com campanha negativa jogando extremamente mal nos dois lados da bola é algo inusitado até para os padrões dos Chargers. E olha que o retrospecto é longo.
O que tinha tudo para dar certo – baseado nas adições durante a offseason – deu bastante errado nessas primeiras semanas. Os ingredientes do caos não são poucos: uma defesa sofrendo com a ausência de Jesse Minter; Justin Herbert e companhia jogando mal, além de uma penca de lesões. Ah, é claro: quem acreditou na união Jim Harbaugh/Mike McDaniel se sente mais enganado do que o povo de Paripe com a falsa dupla Patati Patatá.
Até agora, os Chargers não mostraram motivos para acreditar em uma volta por cima. Óbvio que tudo pode acontecer, porém o calendário vai piorar – e o relógio está correndo mais rápido do que nunca.
O próprio nome já diz: É UMA DROGA!
Se nem a verdadeira dupla Patati Patatá tira o chapéu para as drogas, por que temos que tirar o chapéu pros Chargers? As derrotas para Cardinals e Raiders foi ruim nos dois lados da bola. Na defesa, foram 50 pontos cedidos para dois ataques cujos atuais quarterbacks titulares são Jacoby Brissett e Kirk Cousins. [Com todo o respeito.] Mas as oscilações no setor eram até esperadas, especialmente por conta da saída de Jesse Minter para os Ravens. O mesmo não se pode dizer do ataque.
Mike McDaniel chegou em Los Angeles sob a promessa de tornar o setor mais dinâmico do que na terrível era Greg Roman. Peças para isso ele tem: o próprio Herbert, Ladd McConkey, Omarion Hampton, David Njoku e etc. Contudo, o que vimos nessas duas semanas foi o contrário: um ataque confuso, desconexo e desleixado ao ponto de ter seis fumbles contra a defesa (em rebuild) dos Raiders. Se nem a teoria está funcionando, imagina na prática.
Por falar na execução, ela também está deixando a desejar. Vide o drop de David Njoku que gerou a primeira interceptação contra os Raiders. Ou o fumble de Omarion Hampton, que virou um turnover de fato e praticamente sacramentou a derrota. Erros de execução acontecem, porém eles não podem acontecer com tanta frequência. E isso vale também para o próprio Justin Herbert. No último domingo, o quarterback acertou apenas um terço dos passes para mais de 15 jardas (4/12). E dentre esses passes “errados”, dois deles viraram interceptações.
De novo: os drops dos recebedores e as faltas da linha ofensiva não ajudam, mas não isentam Herbert da conta do cartório. Mais do que isso, ele é o catalisador desse ataque inconsistente. Junte isso com uma defesa em claro processo de transição que a receita da tragédia está pronta.
Joga pro alto e reza (literalmente)
Notícia ruim nunca é pouca, mas no caso dos Chargers, está passando dos limites. O time já perdeu Tyler Biadasz durante a offseason e, desde então, só vem acumulando lesões. Derwin James quebrou o dedo mindinho da mão esquerda no último domingo, mas deve voltar a jogar logo. Ladd McConkey, inclusive, está jogando com as costelas quebradas.
O problema mesmo foi perder seus dois tight ends no mesmo dia. David Njoku machucou a fíbula e Charlie Kolar quebrou o antebraço. Ou seja: ambos vão passar um bom tempo na lista de machucados e o único TE na equipe hoje (ou até o fechamento deste texto) é Oronde Gadsden III. Pois é.
they won’t be favored again until late October pic.twitter.com/IQDzwcdja5
— Steven Ruiz (@theStevenRuiz) September 20, 2026
A cereja do bolo já virou a pauta da semana e talvez do próximo mês todo. O calendário dos Chargers tem na seguinte sequência: Bills, Seahawks, Broncos (em casa) e os Chiefs antes da folga. Mas a vida depois da bye week piora: tem Rams, Texans e Ravens pela frente também. Em praticamente todos os confrontos, os Chargers são zebra. Se começar com 0-2 é ruim o suficiente, acumular derrotas vai martelar os pregos no caixão.
Está na hora de literalmente jogar pro alto e rezar.





