Ante estagnação, é hora de mudanças profundas no Cincinnati Bengals

[dropcap size=big]I[/dropcap]ncrível como o Cincinnati Bengals nos iludiu no começo desta temporada. Eu mesmo acreditava que o time passaria por uma renovação silenciosa e como AJ Green poderia ter seu futuro incerto com a franquia, tanto que escrevi sobre isso em julho aqui no Pro Football. O começo de temporada foi animador, com quatro vitórias nos cinco primeiros jogos, dando a esperança que neste ano a equipe engrenaria. O ataque tinha média de 30 pontos por jogo e a defesa vinha bem, principalmente forçando turnovers.

Menos de dois meses depois, tudo isso implodiu.


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O time perdeu seis dos sete jogos seguintes, vencendo somente o cambaleante Tampa Bay Buccaneers. O ataque, que antes era explosivo, agora não anota nem 20 pontos por jogo. A defesa se tornou uma peneira, fazendo o time ser humilhado em jogos como contra os Chiefs e os Saints. Andy Dalton, AJ Green e Tyler Eifert estão na lista de contundidos e não jogam mais esse ano. Marvin Lewis contratou Hue Jackson para ser o seu coordenador/assistente/cacique defensivo, apesar de não o nomear assim oficialmente. O time tem chances reduzidas de playoffs e nada faz crer que podem ter um corrida por eles.

É hora de uma renovação na franquia. Em outro patamar, mas os Bengals estão com um problema que acometeu os Browns e tem mudado desde a chegada de John Dorsey; estão se acostumando e aceitando o fracasso. Parece normal em toda temporada esperar que os Bengals mesmo tendo jogadores talentosos não vinguem. Ninguém mais se espanta quando eles não vão aos playoffs e mesmo quando vão, já se espera que percam na primeira oportunidade – é a equipe há mais tempo sem vitórias em playoffs, a última vez que isso aconteceu foi em 1990. Isso é triste e vai corroendo a confiança da franquia e tornando-se um ciclo vicioso derrotista. Por isso, separei algumas sugestões do que os Bengals devem fazer.

Contratar um General Manager

Mike Brown, você é o dono do time, mas como general manager seu tempo já deu. Começando pelo fato de manter Marvin Lewis por tanto tempo no cargo, mesmo com as sucessivas derrotas em playoffs e temporadas fracas, são o mais claro indício que o time precisa de outra pessoa a frente das operações de football.
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Contratar Hue Jackson após a desastrosa passagem dele por Cleveland é mais um ponto que cimenta minha opinião sobre isso. Levem em conta também sua falta de postura e interesse em punir jogadores problemáticos,ignorando problemas disciplinares como os de Vontaze Burfict por exemplo e fica evidente que é necessário uma guinada.

Demitir Marvin Lewis e sua comissão técnica

Como bem citado pelo meu amigo Henrique Bulio em sua coluna dessa semana, o prazo de Marvin Lewis já expirou há um bom tempo e só os Bengals não notam isso.

Em determinados momentos cheguei a pensar que os Bengals eram uma empresa pública e Lewis um servidor concursado, cujo trâmite para demissão era complexo. O time vive em inércia, ele executa exatamente os mesmos planos de jogos de 10 anos atrás e talento é desperdiçado temporada após temporada. NENHUMA vitória em playoffs. Por favor, levem Lewis e junto com ele Hue Jackson e demais. Existem tantos nomes em minha cabeça, mas John DeFilippo é o primeiro que me aparece na mente como ideal para um renovação como a que os Bengals precisam.

Trocar AJ Green

Trocar Green abriria um espaço de aproximadamente 15 milhões na folha salarial. O jogador será agente livre ao final de 2019 e convém aos Bengals conseguir algo em troca do seu maior playmaker ao em vez de correr o risco de o ver sair gratuitamente. Caso a diretoria queira uma abordagem mais drástica ante as lesões do talentoso recebedor, o contrato tem saída neste ano: após 2018, em caso de corte, há apenas 3 milhões de dólares de peso morto para os anos posteriores.

Green ainda produz em bom nível, mas já terá 31 anos na temporada que vem e as lesões tem sido constantes nas duas últimas temporadas. Com certeza alguns times se interessariam por seu jogo e os Bengals podem lucrar conseguindo escolhas no draft ou mesmo algumas peças interessantes e que custem menos. Para reposição dele, a classe na posição no próximo draft se mostra com bastante opções promissoras.

Livrar-se de Andy Dalton

Seja via troca ou cortando, os Bengals precisam se livrar de Dalton. O quarterback que representa exatamente o meio da tabela na escala dos quarterbacks, ele é um símbolo dessa nefasta cultura derrotista anteriormente criticada.



Seu contrato não tem dead cap, e se o time não encontrar ninguém interessado numa troca (o que acho pouco provável, na NFL tem sempre alguém desesperado por um quarterback), o time pode simplesmente cortá-lo sem que pese nada.

A classe no draft não é tão boa, mas o time terá espaço salarial suficiente para atacar algum free agent ou buscar alguma troca por outro nome. Na pior das hipóteses, busca-se um tampão para 2019 e em 2020 ataca-se a boa classe que virá das universidades – Jake Fromm/Tua Tagovailoa & Amigos

Contratar ou draftar peças chaves em posições críticas

A posição de offensive tackle precisa de melhora com urgência e numa divisão onde você enfrenta Terrell Suggs, TJ Watt e Myles Garrett duas vezes ao ano, ter Andre Smith protegendo seu quarterback é um risco iminente que você não pode tolerar.

O grupo de linebackers é muito fraco e precisa de um jogador moderno, com capacidade de parar corridas mas também ajudar contra o passe. A secundária precisa de profundidade, especialmente na posição de safety e o time não tem um tight end que possa ser a referência.

O time tem talento e uma base que bem trabalhada pode levar em pouco tempo a mudança necessária em direção de temporadas vitoriosas. Joe Mixon, Sam Hubbard, Tyler Boyd, Geno Atkins, Carlos Dunlap, Willian Jackson e Jessie Bates formam uma espinha dorsal que muitos times mais bem sucedidos na NFL não têm. O problema está no entorno desta espinha, tão mal planejada. Caso as ações sugeridas não sejam tomadas, possivelmente veremos mais derrotas e esses nomes escoando aos poucos para brilharem em outros times na NFL.

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